O prefeito ideal para Goiânia é aquele que vai pensar, de forma pragmática, em resolver os problemas da cidade, como mobilidade, segurança, educação de qualidade, com foco em produção. Isso só será possível com a industrialização – ainda que tardia – de Goiânia e dos municípios da Região Metropolitana, aliada a outras medidas. “Nosso consumidor precisa ter um poder maior de consumo, uma distribuição de renda, ganho per capita melhor para que haja maior consumo e capacidade de compra”, defende o presidente do Sindicato das Imobiliárias e Condomínios do Estado de Goiás (Secovi), Antônio Carlos Costa.
Em entrevista à Tribuna do Planalto, Costa revela que, nas discussões do Fórum da Habitação, alternativas para melhorar o PIB per capita do goiano da região metropolitana – onde se concentra a maior fatia do mercado imobiliário – estão sempre na pauta. Como fazer isso? “Uma defesa que o Secovi sempre fez, um erro de Goiânia por não ter feito, é a industrialização de nossa capital. Uma cidade industrializada consegue mais do que dobrar o PIB per capita da população, principalmente quem recebe três salários mínimos. Com isso, todas as cadeias produtivas terão o impacto positivo desse consumo”, justifica.
Para os desenvolvedores do mercado imobiliário, o tema não é tão complexo como pode parecer. Basta juntar a intenção à realidade econômica existente. “Nosso grande diferencial no Centro-Oeste é o agro. Então, não precisa inventar muito. É industrializar a região metropolitana, fortalecendo indústria ligada ao agronegócio, buscando um crescimento naquilo que é o nosso maior diferencial competitivo”, esclarece, acrescentando a importância de também investir em tecnologia associada a esse contexto. “É estimular isso. Logicamente, melhorando para todos, melhora o mercado imobiliário, que é nossa linha de atuação”.
O presidente do Secovi acredita que há carência de discussão dessas prioridades no ambiente político. “Temos um debate muito pequeno. Por exemplo, achar que falar em expansão urbana é especulação. Não é. Com a expansão urbana, aumenta a oferta e, consequentemente, os preços caem”, exemplifica. “Desenvolvimento sustentável social e ambiental têm de andar junto com educação. Temos de elevar o nível de discussão, pensar de forma mais concreta, firme, discurso técnico, com foco no resultado, como pensamos em nossas empresas, sem subjetividade nenhuma”, propõe.
Anel viário
Outra providência que necessariamente deve estar na pauta do próximo prefeito de Goiânia é a construção do anel viário. É ele, na visão dos empresários, quem vai trazer a logística necessária para essa industrialização. “Ao longo dele, podemos criar um corredor com vários arranjos produtivos industriais. Temos de falar em mobilidade e anel viário, porque as pessoas precisam se deslocar, para criar o ambiente necessário para esse ganho de renda”, sugere Costa.
Para mudar a realidade de Goiânia com seu PIB relativamente pequeno e baixo consumo, o mercado imobiliário defende também investimento em educação. “Educação é fundamental, não só a educação da forma como está estrutura, mas que seja direcionada, alinhada com o setor produtivo. Mais do que de universidades, precisamos de cursos técnicos voltados para o que essa industrialização vai trazer, dotando-a de objetividade e foco, para sair dessa inércia da falta de emprego de qualidade”, pontua o presidente do Secovi, ponderando que pessoas capacitadas ganham melhor.
Ele cita como exemplo o Estado de Santa Catarina, que tem população semelhante à de Goiás e 30% do território, mas tem um PIB per capita que equivale ao dobro do goiano, graças à industrialização. “Precisamos parar com essa ideologias que atrapalham o desenvolvimento econômico. Sem o econômico resolvido, não há que se falar em ambiental e social. Os três andam juntos. É isso que precisamos levar para o debate com o futuro prefeito. Esse é o debate mais rico”, defende Antônio Carlos Costa, acrescentando que o ganho do mercado imobiliário será por consequência.












