O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), anunciou a adoção do Método Wolbachia como estratégia complementar no combate ao mosquito da dengue, Aedes aegypti. A ação será iniciada no segundo semestre deste ano nos municípios de Valparaíso de Goiás e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.
A tecnologia consiste na liberação de mosquitos chamados Wolbitos, infectados com a bactéria natural Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya dentro do mosquito. Ao se reproduzirem, esses mosquitos transmitem a bactéria para as próximas gerações, o que reduz gradualmente a transmissão das doenças na região.
A iniciativa é conduzida pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operacionalizada pela Wolbito do Brasil, empresa que administra a maior biofábrica de Wolbachia do mundo.
Situação da dengue em Goiás
Segundo a SES, até julho de 2025, Goiás já notificou 123.218 casos de dengue, dos quais 72.331 foram confirmados. O Estado contabiliza ainda 53 mortes confirmadas e outras 79 em investigação. Apesar da redução de 69% nos registros em relação ao mesmo período de 2024, autoridades reforçam que o combate ao mosquito transmissor deve continuar.
“Mesmo com a nova estratégia, é essencial manter os cuidados tradicionais, como a eliminação de criadouros. Não há diferença visual entre o mosquito comum e o com Wolbachia”, alerta Flúvia Amorim, subsecretária de Vigilância em Saúde da SES.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do Método Wolbachia, que já foi implantado com sucesso em diversas cidades brasileiras e em 14 países. Em Niterói (RJ), por exemplo, os dados preliminares apontam uma redução de até 70% nos casos de dengue após a liberação dos Wolbitos.
De acordo com Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, os resultados mais expressivos costumam ser observados em até dois anos após o início da estratégia. “Na prática, porém, já se nota impacto positivo na estação de dengue seguinte à liberação dos mosquitos”, explica.
O método é considerado seguro, natural, sustentável e não envolve modificação genética. A Wolbachia está presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta, e foi identificada como bloqueadora dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti em 2008.















