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Operação mira organização suspeita de influenciar exames, cirurgias e vagas em hospitais

Em Goiás, um mandado de prisão e outro de busca foram cumpridos em Abadiânia


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 07/07/2026 - 18:00

Operação mira organização suspeita de influenciar exames, cirurgias e vagas em hospitais
(Imagens: Divulgação/GAECO)

Uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelou um esquema que vai muito além de suspeitas de fraude em licitações. Segundo as apurações, uma organização criminosa também teria atuado para influenciar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais da rede estadual de saúde, utilizando a cooptação de servidores públicos para favorecer seus interesses.

As suspeitas fazem parte da Operação Gutenberg, deflagrada na manhã desta terça-feira (7) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPMS, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Goiás (MPGO). Em território goiano, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão no município de Abadiânia.

Ao todo, a operação cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. Além de Abadiânia, as ordens judiciais foram executadas em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho e na capital paulista.

Organização é investigada por fraude em compras públicas

De acordo com o MPMS, as investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada para cometer crimes contra a administração pública, incluindo fraudes em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos correlatos.

Segundo o Ministério Público, o grupo teria base em Campo Grande (MS) e atuava em diversos municípios do estado, contando com uma divisão de funções entre empresários apontados como líderes do esquema e servidores públicos que teriam sido corrompidos para facilitar as irregularidades.

Entre as práticas investigadas está o direcionamento de processos de compras públicas, principalmente por meio de contratações diretas por inexigibilidade de licitação destinadas à aquisição de livros paradidáticos.

As apurações indicam que o esquema movimentou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Conforme o MPMS, os valores eram distribuídos entre integrantes da organização, servidores públicos e pessoas físicas e jurídicas com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Área da saúde também entrou na investigação

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores envolve a atuação do grupo na área da saúde pública.

Segundo o Ministério Público, a organização utilizava a influência de servidores cooptados para interferir na autorização de exames, cirurgias e até na disponibilização de vagas em hospitais da rede estadual. Essa seria uma das várias frentes de atuação identificadas ao longo das investigações.

Ainda conforme o MPMS, mesmo após o avanço das apurações, o grupo continuava mantendo contratos ativos em diversos municípios, o que reforçou a necessidade do cumprimento das medidas judiciais autorizadas pela Justiça.

Operação mobilizou forças especializadas

Além das equipes do Gaeco dos dois estados, a Operação Gutenberg contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para o cumprimento dos mandados.

O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, inventor responsável por revolucionar a impressão de livros no século XV. Segundo o Ministério Público, a escolha tem caráter simbólico: enquanto Gutenberg é reconhecido por ampliar o acesso ao conhecimento por meio dos livros, no caso investigado esse tipo de material teria sido utilizado como instrumento para conferir aparência de legalidade às supostas irregularidades.

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Redação Tribuna do Planalto

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