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Lula veta aumento do número de deputados federais

Decisão cita impacto fiscal e inconstitucionalidade. Medida segue para análise do Congresso


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 17/07/2025 - 11:15

Lula veta projeto que aumentaria número de deputados federais de 513 para 531.© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que previa o aumento do número de deputados federais de 513 para 531. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (17), no Diário Oficial da União, com justificativas que envolvem inconstitucionalidade e impacto orçamentário sem previsão de compensações.

De acordo com a mensagem enviada ao Congresso Nacional, o veto foi fundamentado em pareceres técnicos dos ministérios da Justiça e Segurança Pública, Fazenda, Planejamento e Orçamento, além da Advocacia-Geral da União (AGU). Todos apontaram que a ampliação das cadeiras na Câmara resultaria em aumento de despesas obrigatórias sem o devido estudo de impacto fiscal, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025.

“O projeto prevê aumento de despesas públicas sem a devida estimativa de impacto orçamentário e sem indicar fonte de custeio, o que contraria o interesse público e dispositivos constitucionais”, afirma o documento assinado pela Presidência.

Proposta era resposta a decisão do STF
A proposta havia sido aprovada pelo Congresso no final de junho, em resposta a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a atualização da representação parlamentar com base nos dados populacionais do último censo. A ação foi movida pelo governo do Pará, que argumenta ter direito a mais quatro cadeiras desde 2010. A última atualização da distribuição das vagas ocorreu em 1993.

O STF determinou que o Congresso regulamentasse a redistribuição das cadeiras de forma proporcional à população de cada estado e do Distrito Federal, respeitando o mínimo de oito e o máximo de 70 deputados por unidade da federação, conforme previsto na Constituição. No entanto, para evitar a redução de cadeiras em estados como Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul, os parlamentares optaram por aumentar o número total de vagas, gerando um impacto fiscal estimado em R$ 65 milhões por ano apenas na esfera federal.

Impacto em estados e assembleias legislativas
Além dos custos com salários, estruturas administrativas e emendas parlamentares, o aumento na Câmara Federal impactaria diretamente as assembleias legislativas estaduais. Isso porque a Constituição prevê que o número de deputados estaduais deve ser proporcional à representação do estado na Câmara dos Deputados. A estimativa de impacto orçamentário para os estados varia de R$ 2 milhões a R$ 22 milhões anuais, dependendo do tamanho da bancada estadual.

Próximos passos
Com o veto presidencial, o Congresso Nacional tem até 30 dias para decidir se mantém ou derruba a decisão. Caso o veto seja mantido, a redistribuição das vagas será realizada diretamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 1º de outubro deste ano, conforme a determinação do Supremo Tribunal Federal.

 

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