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Mãe e padrasto são condenados por tortura e morte de bebê em Quirinópolis

Crime foi praticado contra criança de 1 ano e 3 meses; julgamento durou 17 horas e eles foram condenados a 46 anos de prisão


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 23/07/2025 - 15:14

Foto/reprodução: Marcelo Casal JR / Agência Brasil

 Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (Gaejuri) do Ministério Público de Goiás (MPGO) obteve a condenação de Ana Laura Costa Silva, de 24 anos, e Alisson Sapucaia Bernardes, de 22, pela morte de Gustavo Emanuel, de apenas 1 ano e 3 meses, por tortura e homicídio triplamente qualificado, com causa de aumento de pena por se tratar de ascendente (mãe) e padrasto da vítima. O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Quirinópolis acolheu todos os pedidos do MPGO, em julgamento que durou 17 horas e se estendeu até a madrugada desta quarta-feira (23).

Tortura comprovada

Com o acolhimento total dos pedidos ministeriais pelo Conselho de Sentença, a pena dos condenados foi fixada em 51 anos e 15 dias para Alisson, e 46 anos e 8 meses de reclusão, além de 2 anos, 2 meses e 7 dias de detenção, ambos em regime fechado. A denúncia do MPGO, elaborada pela promotora de Justiça Renata Aline Nunes da Silva, apontou que Gustavo foi torturado por cerca de 30 dias, apresentando mais de 10 mordidas, unhas arrancadas e queimaduras de cigarro. No dia 8 de abril de 2024, no Bairro Alvorada, o padrasto agrediu o menino com golpes na cabeça, deixando-o inconsciente. Apesar de ter sido socorrida, a criança não resistiu aos ferimentos causados pelos espancamentos e um possível chute na cabeça.

Um dos representantes do MPGO no julgamento, o promotor de Justiça Bernardo Monteiro Frayha, apresentou imagens da vítima e diálogos entre o casal que comprovavam a intenção de encobrir as torturas. Também participou da sessão do Tribunal do Júri a promotora Antonella da Cunha Paladino. Durante o julgamento, Alisson admitiu ter mordido o enteado, mas alegou que seria uma brincadeira que saiu do controle. Sobre as unhas arrancadas e queimaduras, tentou atribuir a ferimentos acidentais. Ana Laura, mãe da vítima, afirmou ter sido ameaçada por Alisson e optou pelo silêncio em parte do interrogatório.

Todas as teses da acusação ministerial foram aceitas pelos jurados e juradas, incluindo a participação da mãe como cúmplice ao não denunciar as agressões e ajudar a escondê-las. O MPGO demonstrou que Ana Laura, inclusive, alertou o companheiro por mensagem enquanto Gustavo era atendido no hospital. O Conselho de Sentença reconheceu integralmente as acusações do MPGO por homicídio triplamente qualificado e tortura contra ambos os réus, que já estavam presos desde abril do ano passado. Eles não poderão recorrer da sentença em liberdade.

 

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