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Estudo da Fapesp identifica variantes genéticas ligadas ao risco de câncer colorretal

O câncer colorretal deve atingir cerca de 46 mil brasileiros entre 2023 e 2025 e é o terceiro tipo de câncer mais frequente no país


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 04/09/2025 - 08:54

Estudo brasileiro identifica variantes genéticas ligadas ao risco de câncer colorretal
Indivíduos com menor proporção de ascendência africana e asiática apresentaram maior risco de desenvolver o câncer - Foto: Freepik

Um dos maiores estudos já realizados no Brasil sobre câncer colorretal trouxe novas evidências de como variações genéticas e a ancestralidade podem influenciar o risco de desenvolver a doença. A pesquisa, conduzida por cientistas do Hospital de Amor (antigo Hospital de Câncer de Barretos) e outras instituições, com financiamento da Fapesp, foi publicada na revista Global Oncology.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal deve atingir cerca de 46 mil brasileiros entre 2023 e 2025. Hoje, é o terceiro tipo de câncer mais frequente no país, excluídos os tumores de pele não melanoma.

O estudo analisou 45 variantes genéticas já associadas à doença em pesquisas internacionais, envolvendo quase 2 mil brasileiros de diferentes regiões. Desse total, nove apresentaram associação significativa com o risco de câncer colorretal e quatro se destacaram por manter relevância mesmo após análises mais detalhadas. Duas dessas variantes aumentaram o risco da doença, enquanto outras duas mostraram efeito protetor.

Outro achado relevante foi a influência da ancestralidade genética. Indivíduos com menor proporção de ascendência africana e asiática apresentaram maior risco de desenvolver o câncer, sugerindo que fatores genéticos herdados dessas populações podem exercer efeito protetor.

“Observamos que pessoas com maior ascendência asiática ou africana tinham risco menor. Esse padrão já foi descrito em estudos internacionais, e confirmamos que também se aplica à população brasileira”, explicou Rui Manuel Reis, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital de Amor e autor do estudo.

Os pesquisadores destacam que os resultados podem, no futuro, contribuir para a personalização de estratégias de prevenção e rastreamento da doença no Brasil, considerando tanto fatores genéticos quanto ambientais. A equipe já prepara a próxima etapa do trabalho, que prevê o mapeamento de até 3 milhões de variações genéticas para criar um escore de risco específico para a população brasileira.

O artigo completo pode ser acessado em: ascopubs.org/doi/10.1200/GO-24-00512.

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