A presença de médicos na galeria da Câmara de Goiânia marcou a sessão desta terça-feira (2), em ato convocado pelo Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego) contra o edital de credenciamento da Prefeitura que prevê redução nos honorários médicos. A mobilização pressionou os vereadores a discutirem o tema em plenário, com apoio de parlamentares de oposição e manifestações favoráveis de membros da base do prefeito Sandro Mabel (UB).
O vereador Dr. Gustavo (Agir), que compõe a base do prefeito, afirmou que tem buscado abrir diálogo com o Executivo sobre o assunto e registrou que continuará insistindo na negociação. Segundo ele, em tentativas de conversas com a gestão, “ainda não tive sucesso, mas continuarei tentando”, e declarou que “não terá o meu apoio nada que seja contra meus colegas médicos”.
Pedro Azulão Jr. (MDB), também da base, se pronunciou diante dos profissionais e afirmou que “o que depender de mim pra ajudar a valorizar os médicos, pode contar comigo. Eu só não vou entrar no jogo político”.
Também alinhado ao Paço, Welton Lemos (SD) disse que redução é “inoportuno” e diminui a qualidade do serviço prestado. “Nós temos que, como base do prefeito, alertá-lo que situações como esta, é muito ruim para a gestão, para a cidade e, principalmente, para quem utiliza a saúde pública do município”, destacou. “Vamos lutar até resolver essa situação”.
Rose Cruvinel (UB), que é médica, disse ter comandado muitos movimentos em favor da classe, e afirmou que “o prefeito Sandro Mabel (UB) cometeu um equívoco em tentar diminuir o salário dos médicos”. Ela aproveitou para pedir voto contrário a projeto de lei que prevê proibir prazos diferenciados entre pacientes de planos de saúde e particulares.
Já Coronel Urzêda (PL), que se posiciona como independente, classificou a redução de honorários como insustentável e disse que a medida pode provocar saída de profissionais experientes para municípios vizinhos. “Diminuir honorários vai acontecer o quê? Os profissionais mais experientes vão embora para Senador Canedo, para Trindade, para Anápolis, para Guapó, que paga melhor”.
A oposicionista Kátia Maria (PT) afirmou que os profissionais da rede municipal já enfrentam sobrecarga e falta de estrutura. “Desvalorizados, desmotivados, sem condições de trabalho e sendo muitas vezes violentados no exercício da profissão, porque há déficit de trabalhadores e a população quer rapidez que é humanamente impossível”.
Katia criticou o corte previsto no edital: “o secretário está fazendo a manobra através do edital, reduzindo 35% do salário dos profissionais”. Também questionou a comparação salarial usada pela gestão: “a tabela que o secretário está querendo comparar é com Bonfinópolis, Caldazinha. Olha o tamanho de Goiânia, olha o tamanho da demanda. Isso vai desmontar de vez a saúde pública”.
Também do PT, Fabrício Rosa disse que não há possibilidade de aceitar redução salarial na rede municipal. Segundo ele, “não pode haver redução salarial para a faxineira, para o servidor público, para a enfermeira e não haverá redução salarial para a classe médica de Goiânia”. Ele afirmou que o prefeito precisa rever o edital.
Aava Santiago (PSDB) também foi solidária aos médicos e afirmou que a redução é uma “decisão política” diante do superávit do Paço. A Tribuna do Planalto mostrou, em primeira mão, que o superávit orçamentário até outubro é de R$ 827 milhões, conforme relatórios fiscais da administração.
Judicialização
Nas redes sociais, o Simego anunciou que ingressou com ação judicial para tentar barrar o edital de credenciamento. Na última semana, realizou assembleia com médicos que atuam no município, com presença de entidades como o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremedo) e outras, que afiançaram apoio à mobilização.
A Federação Médica Brasileira (FMB) emitiu uma nota de repúdio ao edital e destacou que vai atuar, junto ao Simego, para reverter a tentativa de redução dos honorários médicos na capital.















