O governador Ronaldo Caiado (UB) entrou em campo para atrair o PL para a base aliada da eleição estadual, sinalizando que o partido pode fazer parte da chapa do ex-governador Daniel Vilela (MDB). Mas na mesma semana que ele anunciou o interesse, Wilder Morais, presidente do PL e atual senador de Goiás, tem ganho de causa em uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO), que denuncia o envolvimento da Secretaria de Comunicação de Goiás em um esquema que, segundo ele, visaria beneficiar Daniel Vilela eleitoralmente e prejudicar, simultaneamente, adversários políticos, com destaque para o próprio Wilder.
O mesmo PL que está sendo convidado a integrar a chapa de Daniel Vilela está no centro de um processo judicial que aponta abuso de poder político. Os protagonistas dos dois episódios, o deputado Gustavo Gayer, que defende a aliança do PL com a base aliada, e Wilder Morais, fazem parte do mesmo grupo dentro do PL. A pergunta que fica é: até que ponto as estratégias eleitorais podem ser conciliadas em um contexto de tanta divergência?

Probabilidade
Uma pesquisa de 10 meses antes da eleição tem uma chance moderada de se confirmar, entre 50% e 70%, dependendo da estabilidade do cenário político. No entanto, é importante ter em mente que a política é imprevisível, e os últimos meses antes da eleição costumam ser decisivos.
Fatores que afetam a probabilidade
Mudanças no cenário político: novos candidatos, alianças podem ser formadas ou desfeitas, e escândalos políticos ou econômicos. Nas eleições de 2018, por exemplo, pesquisas feitas meses antes do pleito não previam com precisão o crescimento de Jair Bolsonaro, que teve uma ascensão meteórica nos últimos meses antes da eleição.
Campanhas eleitorais
Durante os meses seguintes, o candidato que tiver um desempenho melhor em debates, entrevistas e no contato com os eleitores pode ganhar votos. Notícias e eventos políticos: Uma crise econômica, um evento de grande repercussão ou mesmo uma mudança na avaliação do governo podem afetar a opinião pública e alterar as intenções de voto.
Polarização
Em cenários de forte polarização, como nas eleições mais recentes no Brasil, os eleitores tendem a ser mais decididos, mas também mais suscetíveis a mudanças rápidas em caso de novos eventos relevantes. Dinâmica eleitoral: A política brasileira, em especial, é marcada por fenômenos de “ondas eleitorais”. Isso significa que um candidato pode ganhar popularidade rapidamente, e uma pesquisa feita meses antes não refletiria essas mudanças rápidas. Isso foi notório, por exemplo, com o crescimento de Bolsonaro em 2018.
Gesto simbólico
O presidente Lula decretou a cultura gospel como manifestação cultural brasileira. O Estado passa a reconhecer a fé também como expressão cultural, identidade e parte da história do país. A medida abre caminho para a valorização e a inclusão da cultura gospel nas políticas públicas, alcançando não apenas a música, mas artistas, agentes culturais e espaços comunitários ligados ao segmento. O gesto é lido nos bastidores como mais um movimento do governo para ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, segmento em crescimento e estratégico no tabuleiro político nacional.
Havaianas
A campanha publicitária da Havaianas, que provocou reação e chamado ao boicote por setores da direita, ultrapassou as fronteiras do País e ganhou destaque na imprensa internacional.O The New York Times afirma que a sandália mais popular do Brasil foi lançada ao centro de uma verdadeira “tempestade política”. O jornal americano lembra que, apesar da forte polarização que divide o País, o apreço pelas Havaianas sempre foi um raro ponto de consenso nacional. Citando o slogan “todo mundo usa, todo mundo adora”, o texto destaca que esse consenso parece ter sido rompido.
Brasilidade
“Poucos itens do vestuário são tão brasileiros quanto uma marca de chinelos de borracha coloridos”, escreveu a jornalista Ana Ionova, ao contextualizar como um símbolo cultural acabou envolvido no embate político que marca o Brasil atual.
Direita segue majoritária no País
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (25) mostra que a direita continua sendo o campo ideológico com maior identificação entre os brasileiros. Segundo o levantamento, 35% da população se declara de direita e outros 11% de centro-direita, somando 46%. Já a esquerda reúne 29% (22% de esquerda e 7% de centro-esquerda), enquanto 17% se dizem de centro. O resultado reforça a fragmentação política às vésperas de 2026.
Petistas e bolsonaristas
Apesar da predominância da direita no espectro ideológico, a identificação com o petismo aparece numericamente à frente do bolsonarismo. A pesquisa aponta 40% de petistas contra cerca de 36% de bolsonaristas. Outros 18% se declaram neutros. Desde 2022, o Datafolha registra vantagem do campo lulista na maioria dos levantamentos, indicando que a polarização segue equilibrada, mas com leve inclinação ao PT.
Idade, religião e escolaridade
O Datafolha também mostra que o posicionamento político varia conforme o perfil do eleitor. A direita é mais forte entre pessoas com 60 anos ou mais (42%) e entre evangélicos (42%). Já entre jovens de 16 a 24 anos, o centro lidera, com 30%. O levantamento ainda revela contradições: 22% dos eleitores que se dizem de direita votaram em Lula em 2022, enquanto 9% dos que se identificam com a esquerda escolheram Bolsonaro, evidenciando um eleitorado menos ideológico do que aparenta.















