O Cerrado foi o bioma mais atingido pelo fogo no Brasil em 2025, conforme dados do Programa Queimadas, do INPE, de 20 de dezembro. O painel indica que, entre janeiro e novembro, 338,6 mil km² do Cerrado foram consumidos pelas queimadas, o maior volume entre todos os biomas brasileiros no período.
O Cerrado ocupa cerca de um quarto do território nacional e se estende por Goiás e outros 13 estados, além do Distrito Federal, conectando diferentes regiões do país e desempenhando papel estratégico na regulação do clima e das bacias hidrográficas.
Em 2025, o bioma respondeu por mais de 40% de toda a área queimada registrada no Brasil, superando a Amazônia e a Caatinga.
O avanço do fogo se intensificou a partir do segundo semestre, com picos entre agosto, setembro e outubro, meses tradicionalmente marcados por estiagem e baixa umidade do ar. Apenas em setembro, o Cerrado registrou mais de 91 mil km² de áreas queimadas, um dos maiores volumes mensais da série recente monitorada por satélite.
Estados com grande extensão dentro do bioma, como Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Minas Gerais e Goiás, aparecem com frequência nos mapas de cicatrizes de queimadas.
O acumulado de 2025 já supera os números de 2024, quando o Cerrado somou cerca de 239 mil km² queimados até novembro.
Goiás em queda
Apesar do avanço das queimadas no Cerrado em escala nacional, os dados do INPE indicam que Goiás apresenta, nos últimos anos, redução no número de focos ativos em relação aos períodos mais críticos da série histórica, como em 2010, que acumulou mais de 13 mil casos.
Em 2025, até 19 de dezembro, o estado registrou 4.853 focos de queimadas, volume inferior ao observado em 2020 (6.008), 2021 (6.020) e 2024 (6.362), anos marcados por maior pressão do fogo.
A série histórica mostra que Goiás entrou em trajetória de queda a partir de 2022, quando foram registrados 4.796 focos, chegando ao menor patamar da última década em 2023, com 3.160 ocorrências.
Metodologia
Embora o sistema utilizado pelo INPE tenha caráter estimativo, com resolução espacial de 1 km, os dados são amplamente utilizados para análise de tendências e formulação de políticas públicas.














