Na mensagem de veto encaminhada ao Legislativo, o prefeito sustenta que a autorização para abertura de crédito adicional especial está diretamente vinculada à vigência do orçamento anual. Com o encerramento do exercício financeiro de 2025, não haveria mais tempo legal para empenho, liquidação ou pagamento da despesa, o que tornaria a norma sem eficácia prática. Segundo o Executivo, a sanção resultaria na edição de um ato normativo incompatível com a Lei Federal nº 4.320/1964 e com os princípios da anualidade orçamentária e da responsabilidade fiscal.
O texto do veto ressalta ainda que a decisão não incide sobre a iniciativa do projeto, que partiu do próprio Executivo, mas sobre o resultado final da tramitação legislativa. A justificativa afirma que, mesmo em proposições de sua autoria, o chefe do Poder Executivo pode vetar total ou parcialmente projetos que, ao final do processo, se mostrem inviáveis do ponto de vista técnico ou orçamentário.
Reação da oposição e ambiente político
A aprovação do projeto ocorreu em meio a críticas da oposição ao avanço das parcerias público-privadas na atual gestão. Durante a votação a vereadora Kátia Maria (PT) e outros parlamentares votaram contra a proposta, alegando falta de garantias quanto à condução das concessões e à estrutura administrativa responsável pelas PPPs.
Katia Maria subiu o tom após a indicação do servidor efetivo Bruno Vianna Primo para exercer função de confiança na Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp). Ela anunciou que protocolaria denúncia no Ministério Público, ao afirmar que o servidor, preso em 2024 durante investigação que apura corrupção na Secretaria Municipal de Saúde, estaria sendo deslocado para atuar na área responsável pelas PPPs.
Segundo a vereadora, a movimentação administrativa representaria a repetição de práticas e personagens ligados a um dos maiores escândalos recentes da saúde municipal. Ela afirmou não ser contrária ao modelo de PPPs, desde que haja transparência e afastamento de agentes envolvidos em investigações, especialmente em um momento em que projetos de terceirização avançam no Legislativo.
Posição do Executivo
Em nota à Tribuna do Planalto, a Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias informou, em 18 de dezembro, que Bruno Vianna Primo integra o quadro efetivo da Secretaria Municipal de Administração, tendo ingressado no serviço público por concurso. A pasta afirmou ainda que o servidor exerce função de assessoria administrativa, sem poder decisório, e que o decreto questionado não se trata de nomeação, mas apenas de atribuição de função de confiança.
Na época, a reportagem procurou a assessoria do prefeito Sandro Mabel para comentar a nomeação e o veto ao projeto, mas não obteve resposta.
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