O Jóquei Clube de Goiás retomou, na manhã da última sexta-feira (16), o controle de uma área da sede social, no Setor Central de Goiânia, que vinha sendo explorada como estacionamento privado desde a década de 2010. A desocupação ocorreu com apoio da Polícia Militar e cumprimento de decisão judicial, a poucos dias da eleição que definirá a nova diretoria da entidade.
O espaço está localizado na Rua 3, entre a Rua 11 e a Avenida Anhanguera, em frente à Caixa Econômica Federal. A área integrou um acordo firmado em 2010 com a Faculdade Padrão, que passou a utilizar a sede social do clube. Desde então, uma área antes destinada a espaço verde foi convertida em estacionamento, com arrecadação direcionada à instituição de ensino.
A parceria entrou em disputa judicial a partir de 2014, por descumprimento contratual. Em 2015, o acordo financeiro foi rompido e os repasses ao Jóquei cessaram, mas o estacionamento seguiu em funcionamento. Segundo o clube, não havia clareza sobre quem explorava economicamente o espaço nem sobre o destino dos valores pagos pelos usuários.
A ação judicial teve como rés a Faculdade Padrão e sua mantenedora, a Sociedade de Educação e Cultura de Goiás S.A. Com decisões favoráveis ao Jóquei, a Justiça determinou a devolução do estacionamento e de áreas do Hipódromo da Lagoinha, além da reparação de danos à sede social. A condenação prevê pagamento estimado em R$ 6,5 milhões, entre multa e danos morais. Como a área não foi devolvida espontaneamente, foi determinado o cumprimento da sentença, iniciado pela desocupação.
No momento da retomada estavam no local o presidente interino do clube, Fausto Gomes, o advogado Rafael Zardini e um oficial de Justiça. O funcionário que atuava no estacionamento entregou as chaves do espaço, que teve a entrada de veículos bloqueada.
Segundo a defesa do Jóquei, a situação é provisória. A possibilidade de manter o local como estacionamento para geração de receita será discutida após a eleição da nova diretoria, marcada para esta segunda-feira (19).
O futuro do imóvel permanece indefinido. A sede social do clube é alvo de decreto de desapropriação da Prefeitura de Goiânia, editado em 2024. Em novembro, a Justiça autorizou a desapropriação, condicionada ao depósito judicial de indenização estimada em R$ 55,4 milhões, ainda não realizado. O valor é objeto de negociação devido a dívidas de IPTU que podem chegar a R$ 50 milhões.
A Prefeitura já informou que o prédio deverá abrigar um hub de inovação e um espaço voltado a jogos eletrônicos, o chamado Palácio Gamer. A área do antigo estacionamento também poderá ser destinada ao Governo de Goiás como apoio à instalação de secretarias estaduais na região central.
Eleições
A eleição da nova diretoria do Jóquei Clube de Goiás ocorre nesta segunda-feira (19), das 8h às 17h, na sede do clube. Disputam o comando da entidade o presidente interino Fausto Gomes e a chapa Novo Jóquei, liderada pela advogada Nívea Cristina Ribeiro de Paula. Apenas sócios remidos podem votar, sem exigência de quórum mínimo.













