A quarta temporada de Bridgerton já está disponível na Netflix e, desta vez, aposta em uma releitura declarada do clássico Cinderela. No centro da trama está Sophie Baek (Yerin Ha), uma jovem que, apesar de ser filha de um conde, cresce à margem da aristocracia londrina por ser fruto de uma relação ilegítima. Assim que o pai morre, ela é rebaixada à condição de criada pela madrasta, vendo seu maior desejo — participar da vida social da elite — se tornar praticamente inalcançável.
Ainda assim, o destino encontra brechas. Em uma noite decisiva, Sophie consegue entrar às escondidas no tradicional baile de máscaras promovido por Lady Violet Bridgerton (Ruth Gemmell). É ali que, finalmente, ela cruza o caminho de Benedict Bridgerton (Luke Thompson). Embora sejam completos estranhos, os dois se conectam de imediato e, por alguns instantes, Sophie experimenta a sensação de pertencer àquele mundo que sempre lhe foi negado.
Um conto conhecido, mas contado de outra forma
No entanto, como manda o figurino dos contos de fadas, o encanto tem prazo de validade. À meia-noite, Sophie foge da festa sem revelar sua identidade. No dia seguinte, enquanto Benedict percorre Londres em busca da misteriosa mulher do baile, Sophie enfrenta uma nova queda: é expulsa de casa pela madrasta e obrigada a deixar a cidade.
Três anos depois, o acaso volta a unir os dois. Benedict salva Sophie de uma situação perigosa, mas não a reconhece vestida como criada. Ainda assim, ele se apaixona novamente. Porém, diante das rígidas regras sociais da época, o jovem considera impossível se casar com uma serviçal e lhe propõe que seja sua amante — uma alternativa que Sophie rejeita prontamente. Dessa forma, a série revisita uma história já conhecida, mas insere conflitos morais e sociais que dialogam diretamente com o universo Bridgerton.
Temas sociais e personagens em transformação
Embora a base narrativa seja familiar, a temporada ganha força ao abordar temas contemporâneos sob a lente romântica e bem-humorada de Shonda Rhimes. Assim, surgem discussões sobre machismo, preconceito racial, privilégios da sociedade patriarcal e independência feminina. Sophie, por exemplo, não aceita silenciar suas opiniões, o que surpreende Benedict e reforça sua construção como protagonista ativa, e não apenas como interesse amoroso.
Além disso, outras personagens femininas avançam em suas trajetórias. Penélope vive Lady Whistledown de forma aberta, agora com o apoio de Colin, enquanto Eloise Bridgerton faz as pazes com a ideia de permanecer solteira, apesar das pressões sociais. Paralelamente, Benedict também amadurece: influenciado pela convivência com Sophie, ele passa a enxergar aqueles que sempre foram invisíveis para a elite e questiona a superficialidade com que encarava sua posição de segundo filho.
Ainda que seja cedo para avaliar o desfecho, os primeiros quatro episódios — já disponíveis desde o dia 29 — indicam um romance construído com cuidado. A conclusão da história chega em 26 de fevereiro, quando a Netflix libera a segunda parte da temporada. Até lá, o público pode se deixar levar tanto pela determinação de Sophie quanto pelo charme contido de Benedict, além, é claro, pela icônica narração de Julie Andrews como Lady Whistledown.
Por fim, vale lembrar que Daphne Bridgerton não retorna nesta fase da série. Phoebe Dynevor confirmou sua ausência, encerrando de vez a participação da personagem que apresentou o universo de Bridgerton ao público na primeira temporada.
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