A deputada federal Adriana Accorsi, presidente do PT em Goiás, minimizou, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, a demora na definição da pré-candidatura do partido ao Governo de Goiás e afirmou que o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, escolhido para encabeçar o projeto, “vai até o fim”. Ela também descartou a tese de aliança com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), defendida por setores petistas, e classificou a hipótese como “um delírio”. A dirigente petista ainda afirmou que Lula deve retornar em breve às terras goianas.
Deputada, o partido colocou fim ao processo de definição da pré-candidatura na última segunda-feira, com a escolha do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas. O que pesou na escolha desse nome? Por que Luis Cesar Bueno?
Nós tínhamos vários nomes colocados, principalmente dentro do PT: professor Jerônimo, Valério Luiz e o ex-deputado Luis Cesar Bueno. Discutimos entre as forças que compõem a direção do partido e essa foi a escolha da maioria, principalmente por ele ser uma pessoa muito conhecida internamente dentro da esquerda de Goiás, pelos cargos que já ocupou e pela experiência que tem na política goiana. Agora, o partido está todo unido em torno da candidatura dele.
A senhora fala que o partido está unido, mas bastidores apontam que a reunião de segunda-feira não foi tão pacífica assim. Pelo que apurei, houve quatro votos para Valério Luiz Filho. Isso aconteceu de fato? Como foi esse processo?
Sim, isso é natural para nós. Faz parte do processo. Alguns membros da Executiva entendiam que deveria ser o Valério. Isso é normal. Mas, depois que a gente decide, todo mundo se unifica em torno da decisão da maioria. Eu sinto que hoje o partido está unido. Nós já estamos com as chapas de deputados federais e estaduais prontas, apresentamos ao partido nacional, chapas fortes, e estamos muito animados em aumentar as bancadas. Agora, só falta definir o restante da chapa majoritária, e eu vou conduzir esse processo com os partidos da Frente Democrática nos próximos dias.
A senhora cita os partidos da Frente Democrática, mas conversei com dirigentes do PV, PDT, PSOL e PSB. Também houve declarações públicas de dirigentes demonstrando certa insatisfação por não terem sido comunicados previamente da decisão. Como está esse diálogo?
Como seria previamente se a decisão foi tomada segunda-feira e noticiada na imprensa imediatamente depois? Não teria como comunicar previamente. Nós já comunicamos e estamos marcando uma reunião para decidir os demais cargos. Não há problema algum acontecendo. Essas declarações, eu acredito, são sem perspectiva, porque não teria como comunicar antes, já que não havia escolha. Os nomes que estavam sendo colocados eles sabiam, como todo mundo sabia, porque já estava na imprensa. Todo mundo sabia quais eram os nomes possíveis. A escolha aconteceu na segunda-feira e imediatamente foi comunicada. A imprensa já noticiou. Mas já conversamos.
A insatisfação foi pelo fato de a senhora ou outro membro da Executiva estadual não terem avisado diretamente esses dirigentes. Isso aconteceu em ato contínuo?
Mas isso é um ato protocolar. Não há importância nenhuma nisso. Nós estamos em diálogo direto, constante, todos os dias. Só não houve essa ligação imediatamente depois da reunião porque havia outra reunião acontecendo logo em seguida. Isso não tem a menor importância. O importante é que todos esses partidos estão imbuídos na campanha de reeleição do presidente Lula, têm esse compromisso, essa vontade. Nós estaremos juntos na campanha do presidente Lula. E agora temos um palanque aqui para fazer essa defesa.
O presidente do PDT, Kowalsky Ribeiro, disse que não há alinhamento automático com o PT. Há duas semanas, ele se reuniu com a senhora e falou que a prioridade era o palanque do presidente Lula. Como a senhora vê essa declaração, inclusive com ele citando diálogo com Daniel Vilela, do MDB, e com Marconi Perillo, do PSDB? Isso preocupa a direção estadual, levando em conta que o PSB também dialoga com Daniel?
Não me preocupa de forma alguma. Esses partidos nos procuraram, manifestando o desejo de apoiar o presidente Lula, e, para apoiar o presidente Lula, tem que estar no palanque dele. Não me preocupa de forma alguma. De toda forma, independentemente deles, nós faremos essa campanha aqui. A nossa prioridade é a reeleição do presidente Lula. Vamos seguir da mesma forma. Quem nos procurou foram eles, manifestando esse desejo. Caso não queiram também, eles têm liberdade de fazer o que quiserem.
A senhora disse que agora vai avançar na formação dos outros espaços da chapa majoritária. Como será o cronograma de debates em torno da vice e das candidaturas ao Senado?
Os partidos que compõem a nossa frente já manifestaram os nomes que desejam apresentar para fazer parte da chapa, inclusive PDT, PSB, Rede-PSOL, PCdoB e PV. Todos apresentaram a mim, pessoalmente, os nomes que desejam compor. São nomes que a gente respeita muito e considera que vão colaborar bastante nessa campanha. Agora, reunidos, temos que decidir quem vai ser senador, quem vai ser suplente e quem vai ser vice. Nos próximos dias, até segunda-feira, a gente estará com isso decidido e apresentado. Depois vamos marcar o lançamento das pré-candidaturas.
A definição sobre a chapa majoritária será feita com mais celeridade?
Sim, nos próximos dias.
Quem seria o vice ideal para Luis Cesar Bueno? Há um perfil desejado?
Ainda não dá para falar isso, porque cada partido apresenta um nome. Acho que a gente tem que tomar uma decisão unitária no grupo. São todos nomes muito representativos. Todos os nomes apresentados têm total qualificação, tanto para a vice quanto para o Senado. Isso a gente vai decidir.
Mas não há um perfil? Uma mulher, um jovem?
O que eu gostaria e vou tentar é que essa chapa majoritária tenha pelo menos duas mulheres. Os partidos já apresentaram os nomes de Isaura Lemos e Cíntia Dias, que considero nomes excelentes na política goiana, experientes e qualificados. As duas têm total capacidade de ocupar tanto o cargo de vice quanto o de senadora. Vamos conversar e ver a preferência dos partidos.
Isaura Lemos já foi lançada para a candidatura ao Senado e Cíntia Dias também tem feito esse debate.
Todos esses nomes apresentaram candidatura ao Senado. Ninguém se apresenta para vice. Se apresentaram para o Senado, mas nós vamos ter uma discussão madura e propositiva e chegar a essa decisão.
Esse arranjo para o Senado e para a chapa majoritária será ofertado aos partidos da base? O PT deve ficar com algum espaço além de encabeçar a chapa?
É possível que sim. Há vários nomes se colocando também. Mas eu desejo conduzir de forma muito democrática e ouvir os partidos para essa decisão. A direção do PT não vai impor nenhuma colocação. A gente quer discutir de forma muito democrática.
Há nomes como Cristiano Cunha, Ricardo Dias, Aldo Arantes, Isaura Lemos e Cíntia Dias. Ediberto Dias, que é do PT, também demonstrou interesse no Senado. O debate será em torno desses nomes?
Sim. Os partidos têm liberdade de apresentar os nomes que desejarem. O PT não impõe isso. O nome que o partido apresenta, a gente recebe e acolhe com respeito. Vamos decidir juntos onde cada um vai se colocar nesse xadrez.
A senhora falou em união a partir de agora, mas conversei com membros da base do partido e há dúvidas sobre se Luis Cesar Bueno de fato avançará até as convenções e transformará essa pré-candidatura em candidatura. A senhora está convencida de que ele vai representar o PT até o fim?
Sim, acredito que sim. Não vejo outra alternativa no futuro. Inclusive, tenho daqui a pouco uma reunião com o presidente nacional, Edinho Silva, para terminar de contemplar essa decisão da direção do partido. Não acredito que haverá mudança. Nós vamos marcar o lançamento e colocar o bloco na rua.
Quando será esse lançamento?
Ainda não marcamos a data. Só vamos marcar junto com os partidos da Frente Democrática.
Parte da militância reclamou da demora para definir esse nome. A senhora concorda?
Então eles devem estar felizes agora que decidiu.
O que aconteceu com Flávio Faedo nesse processo de definição?
Ele se reuniu com a família, e a família disse que não era o momento, que não gostaria que ele saísse candidato. Foi só isso. Nada demais.
Não houve uma questão de o presidente Lula não querer recepcioná-lo em Rio Verde?
Não teve nada disso. Essa decisão foi antes. Não tem nada a ver.
Delúbio Soares confirmou que foi um defensor ferrenho de uma aliança com Marconi Perillo. Essa aliança chegou a ser costurada de alguma forma? A senhora já havia dito no passado que não houve nada nesse sentido, mas ele próprio disse que o PT chegou a procurá-lo, e o PSDB também levantou essa possibilidade durante algum período do processo.
Houve conversas em nível nacional do presidente nacional e foi decidido que não haveria essa aliança. Não adianta pessoas que nem fazem parte da direção do partido ficarem insistindo com isso. Essa aliança não existe. O PSDB decidiu sua posição de oposição ao Lula. Então não existe essa possibilidade. Está fora de questão. Não adianta ninguém ficar conversando fiado, falando que está costurando isso, que quer aquilo. Não adianta. Essa aliança não existe, não vai acontecer.
Mas chegou a ser costurada no passado? Chegou a ser aventada essa possibilidade?
Nunca foi costurado nada. Houve um diálogo nacional entre as presidências nacionais e foi decidido que não. Ponto. Nunca foi costurado nada. O PSDB é oposição ao Lula. O presidente Aécio Neves é oposição ao Lula. Existe possibilidade disso? Não existe. É uma ilusão. É um delírio. Não existe isso. Não existe e não vai existir. É falta de assunto.
O nome da senhora, durante todo esse processo, mesmo com outros pré-candidatos colocados, sempre foi muito citado e defendido por diversas frentes do PT, apesar de a senhora manter a pré-candidatura à reeleição para deputada federal. Chegou-se a dizer que o presidente Lula queria que a senhora fosse candidata ao governo. Essa possibilidade chegou a ser considerada em algum momento ou nunca esteve de fato na mesa?
Sendo muito sincera com você, fico muito honrada de ser lembrada nas pesquisas. Qualquer pessoa ficaria. É um fato muito impactante na vida da gente, que vive na política, que tem uma trajetória na política desde a infância, como eu. É uma grande honra ser lembrada pelas pessoas, inclusive de forma muito relevante. Mas o meu objetivo sempre foi a reeleição. Estou trabalhando nisso, inclusive para ter uma votação ainda maior do que tive na última vez, que foi uma votação que me surpreendeu, me honrou muito e me deixou com grande sentimento de responsabilidade para trabalhar pelo Estado e pelo Brasil. Sou vice-líder do partido na Câmara Federal, tenho me empenhado muito em ser uma deputada atuante. Participo das comissões, sou vice-presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher, tenho trazido recursos, obras e benefícios para Goiás. Tenho orgulho desse esforço de ser uma boa deputada, uma deputada atuante, que realmente ajuda o nosso Estado, independentemente de partido, governo ou prefeituras. Quase todos os dias estou em um bairro ou em uma cidade entregando emendas, entregando obras que ajudei a trazer do governo Lula. Meu objetivo sempre foi esse. Eu sempre me encontro com o presidente Lula, inclusive me encontrei com ele ontem, anteontem, conversamos. Nunca houve esse pedido do presidente. O pedido do presidente é que eu conduza o processo aqui, que ele tenha um palanque forte para fazermos uma boa campanha e que eu consiga ter uma boa votação para eleger mais um deputado federal. Esse é o pedido do presidente Lula para mim. Eu falo sempre com ele, diretamente, não por suposto interlocutor. Falo diretamente com ele, tanto pessoalmente quanto por telefone. Falei com ele anteontem, o vídeo está na minha rede social e na dele. Participei de um evento extremamente importante, que foi a regulamentação da legislação sobre os vigilantes, os trabalhadores da segurança privada, por quem eu sempre lutei. Por isso, o presidente me convidou. Fui uma das únicas deputadas convidadas para participar desse evento, uma vez que é uma defesa que sempre fiz junto a essa categoria. É claro que é uma honra ser lembrada, mas o meu objetivo é ser candidata à reeleição. Espero ter essa honra de ser reeleita pelo povo de Goiás.
Como o presidente Lula recebeu a decisão de Luis Cesar Bueno representar o PT e fazer palanque a ele em Goiás?
Normalmente. Ainda faltam alguns estados, como Goiás, Minas Gerais e acho que um do Norte. A condução dos presidentes e presidentas nos estados é muito respeitada pelo presidente Lula e pelo presidente Edinho.
Ele gostou da definição? Comentou especificamente sobre Goiás?
Não comentou em relação a isso. Ele me agradeceu por ter levado esse pleito dos vigilantes até ele e me disse que logo vai me convidar para conversarmos sobre a bancada, sobre a PEC da Segurança, sobre outros projetos relacionados ao combate ao feminicídio, que estou elaborando. Participo do grupo de trabalho que ele criou de combate ao feminicídio. Ele me abraçou, me deu um beijo.
Até segunda-feira, Luis Cesar Bueno já vinha sendo testado em algumas pesquisas, mas com índice baixo de intenção de voto, até porque ainda não havia a definição. Agora, com o nome lançado, a senhora tem expectativa de que esse cenário seja alterado? Em quanto tempo?
Acredito que em breve. Tivemos uma votação expressiva para o presidente Lula aqui em 2022. Chegamos a 41%, mais de 1,5 milhão de votos. Acredito que essas pessoas também desejam votar em um candidato ao governo que seja alinhado com o presidente Lula, com a nossa agenda de mais direitos para a classe trabalhadora, fim da escala 6×1, PEC da Segurança, combate aos feminicídios, programas e projetos sociais. Também acredito que votarão em candidatos a deputado federal e senadores ligados a essas pautas, uma vez que estamos enfrentando hoje um Congresso hostil às pautas da classe trabalhadora, que tem aprovado ou tentado aprovar projetos que prejudicam o povo trabalhador, como a PEC da Blindagem, o PL da Devastação e esse que quer obrigar crianças vítimas de estupro a terem o filho do estuprador. Esse tipo de pauta é contra o povo, contra a dignidade do povo e contra os nossos projetos. Então, acredito que, sendo apresentado como candidato, nós teremos em breve um aumento nas pesquisas.
Já há uma estratégia para que o nome dele cresça de forma breve?
Sim. O alinhamento total à campanha e ao governo do presidente Lula, além da defesa dos projetos que acreditamos serem os melhores para o Brasil e para Goiás.
O ex-deputado José Dirceu teve alguma participação na definição desse processo?
Absolutamente nenhuma. Sou amiga, colega do Zé Dirceu, converso sempre com ele, mas ele não teve nenhuma participação.
Ninguém da Executiva nacional participou desse processo? Foi exclusivo da direção estadual?
Sim. O processo coube à direção estadual.
Qual será o principal eixo dessa campanha a partir de agora, com o bloco na rua? Qual será o eixo da campanha de Luis Cesar e do PT?
O eixo é a defesa do presidente Lula, da reeleição do presidente Lula, dos projetos sociais, dos projetos de direitos para a classe trabalhadora, da democracia e da soberania. Essa é a nossa defesa principal junto com o presidente Lula: defesa do Pix, defesa dos nossos direitos, da democracia, da soberania nacional e demais direitos, como o fim da escala 6×1.
Qual balanço a senhora faz da agenda recente de Lula no Sudoeste goiano, uma região muito próxima ao agronegócio? E o presidente garantiu que deve voltar a Goiás ao longo da campanha eleitoral? Existe alguma agenda prevista para este ano?
O balanço é de quanto o presidente foi recebido com carinho, gratidão e emoção pela população goiana. Não houve uma pessoa que sequer tenha olhado com cara ruim para ele. Ele foi recebido com abraço, carinho e emoção. Se você viu os vídeos, foi tudo daquele jeito. Eu estava ao lado do presidente Lula. O balanço que temos é do aumento da aprovação do governo, que está acontecendo em todo o Brasil e também em Goiás. Há uma gratidão muito grande porque são obras que trazem muitos benefícios para o Estado. Um instituto federal de extrema qualidade, que pode ser considerado um espaço educacional de primeiro mundo, de última geração, com laboratórios e equipamentos excelentes, aumentando agora o número de professores e podendo receber muito mais alunos, quase o dobro. Duas unidades de saúde de grande potencial, que atendem milhares de pessoas de várias cidades, também com equipamentos de última geração. São grandes benefícios que o presidente Lula trouxe, além de tantos outros. Antes de ontem, eu estava em Luziânia e mostrei uma escola de tempo integral que trouxemos para a região mais vulnerável da cidade, com R$ 14 milhões de investimento, para atender todas as crianças da região. São muitos benefícios. Ao contrário do que o candidato Ronaldo Caiado tem mentido nas redes e na imprensa, o presidente Lula trouxe muitos milhões em benefícios para Goiás. E a gente tem mostrado isso. Essa visita foi um momento de muita gratidão ao presidente. Foi muito emocionante. Com certeza, o presidente manifestou que deseja vir aqui. Inclusive, há outras obras, até da Universidade Federal, que ele comentou que gostaria de visitar. São grandes obras relacionadas à Universidade Federal. Nós estaremos junto com ele aqui. Acredito que ele virá, sim.
Essas agendas de lançamento das obras na UFG serão na região metropolitana? Ele também deve vir na campanha?
Sim, na Região Metropolitana. Acredito que deva vir na campanha sim.
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