Os médicos credenciados junto à Prefeitura de Goiânia rejeitaram a proposta apresentada pela gestão municipal e mantiveram integralmente suas reivindicações. A decisão, deliberada em Assembleia Geral Extraordinária Permanente, foi apresentada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) durante reunião realizada nesta quinta-feira (29) no Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).
A proposta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia está vinculada ao Edital nº 003/2025, que prevê redução significativa nos honorários médicos e estabelece condições de trabalho consideradas inadequadas pela categoria, além de representar, segundo o sindicato, um retrocesso em relação ao contrato atualmente vigente.
A negociação foi iniciada após os médicos iniciarem greve há cerca de duas semanas. Na ocasião, o prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que a paralisação era restrita a poucos profissionais e não afetaria a assistência, tampouco a decisão administrativa de reduzir os honorários.
Em nota pública, o Simego informou que “a proposta da gestão municipal representa um retrocesso em relação ao contrato vigente e ignora as reivindicações legitimamente apresentadas pelos médicos credenciados.” O sindicato não informou quais avanços teriam sido propostos pela Prefeitura de Goiânia.
Apesar da rejeição, os médicos afirmam disposição para negociar “desde que as tratativas sejam capazes de dar resolutividade às demandas apresentadas”. Segundo a nota, “os médicos conclamam a Administração Pública ao atendimento integral dos pedidos formulados, como condição essencial para garantir a continuidade da prestação dos serviços de saúde com qualidade, presteza e eficiência à população.”
Para o diretor financeiro do Simego, Robson Azevedo, o impasse extrapola a esfera contratual e “reflete diretamente na saúde da população”. “Não é possível comparar a remuneração praticada em Goiânia, uma capital, com a de municípios de menor porte”, argumenta.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia para esclarecer qual foi a proposta apresentada aos médicos credenciados, se há previsão de nova rodada de negociações e eventual revisão do Edital nº 003/2025. Em nota, a pasta afirmou que “o novo credenciamento visa suprir déficits históricos das redes de atenção à saúde e possibilitará ampliar o acesso da população aos serviços, com ampliação no número de médicos de 730 para mais de 1.800.”
Segundo a secretaria, a adequação da tabela de valores pagos pelos plantões médicos “visa corrigir distorções, garantir equilíbrio financeiro e foi definida de acordo com a realidade de mercado na região metropolitana e estudo de impacto orçamentário e financeiro da pasta”.
Matéria atualizada às 22h30 para incluir posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde.













