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CNT alerta para impactos do fim da jornada 6×1 no setor de transporte

m nota, a entidade destacou que o setor produtivo está aberto ao diálogo, mas defende que qualquer alteração seja feita com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o país.


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 13/02/2026 - 16:11

Levantamentos do Sistema Transporte apontam escassez de profissionais em diferentes áreas
Levantamentos do Sistema Transporte apontam escassez de profissionais em diferentes áreas

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) afirmou que acompanha com atenção o debate sobre a possível mudança da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. Em nota, a entidade destacou que o setor produtivo está aberto ao diálogo, mas defende que qualquer alteração seja feita com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o país.

Segundo a CNT, o transporte é uma atividade essencial e estratégica para a economia, responsável por garantir o direito constitucional de locomoção e por viabilizar o deslocamento de bens e serviços em todo o território nacional, incluindo alimentos, medicamentos, insumos industriais, além de áreas como saúde e educação. Por operar de forma contínua, 24 horas por dia, o setor sustenta o funcionamento da cadeia produtiva brasileira.

A confederação alerta que uma eventual redução da jornada, sem considerar as especificidades do transporte, pode gerar impactos relevantes para toda a sociedade. O segmento já enfrenta dificuldades para repor mão de obra qualificada, o que pode ser agravado com mudanças abruptas no regime de trabalho.

Levantamentos do Sistema Transporte apontam escassez de profissionais em diferentes áreas. No transporte rodoviário de cargas, pesquisa da CNT de 2021 mostra que 65,1% das empresas relatam falta de motoristas, 19,2% de mecânicos e profissionais de manutenção, 15,1% de gerentes operacionais e 14,4% de trabalhadores administrativos. Já no transporte urbano de passageiros, dados de 2023 indicam que 53,4% enfrentam carência de motoristas e 63,2% de mecânicos, além de problemas relacionados à qualificação, experiência e atratividade da profissão.

Para a entidade, reduzir a jornada sem haver trabalhadores suficientes para suprir a demanda tende a ampliar o déficit de mão de obra, elevar custos operacionais e comprometer a regularidade dos serviços prestados à população.

Outro ponto destacado é o impacto nas contas públicas. A CNT ressalta que mudanças na jornada não atingem apenas o setor privado e que, em um cenário de restrição fiscal, a adoção ampla da medida pode pressionar a máquina pública, exigindo novas contratações e aumentando despesas com pessoal.

A confederação defende que o tema seja tratado prioritariamente por meio da negociação coletiva, mecanismo que permite ajustar as condições de trabalho às realidades de cada setor, região e empresa. Segundo a CNT, onde a jornada 5×2 é viável, ela já vem sendo aplicada.

Por fim, a entidade informou que permanece à disposição para contribuir tecnicamente com o Congresso Nacional e o governo federal, reforçando a necessidade de um debate baseado em critérios técnicos e voltado à proteção da sociedade brasileira, evitando decisões precipitadas que possam gerar efeitos negativos para o país.

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