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PT fechou questão sobre cabeça de chapa, segundo Valério Luiz Filho


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 15/02/2026 - 00:13

Lula inaugura campus do IF Goiano em Catalão e visita hospitais em Goiás nesta terça-feira

O advogado Valério Luiz Filho, um dos pré-candidatos ao governo pelo PT, afirma que o PT já definiu que terá candidatura própria ao governo.Segundo ele, as opções fora do partido, como o ex-governador José Eliton, estão descartadas e o partido trabalha hoje com apenas dois nomes, o dele e o do vereador Edward Madureira. “Vai depender da disposição do professor Edward, se ele vai sair da chapa de deputados federais e ir para uma candidatura majoritária ou se vai continuar com o projeto para deputado federal.” Considerando inclusive o peso do professor na chapa de deputados federais e a orientação da executiva nacional do PT para que os estados elejam o maior número possível de deputados federais já visando uma base de apoio maior do presidente Lula em um eventual quarto mandato, explica. O PT em Goiás pretende ampliar a bancada federal de dois para três deputados e, na Assembleia Legislativa, eleger quatro deputados estaduais.

Aliança só com quem pedir votos para Lula

O PT está aberto para formar aliança tanto com o PSB como com o PSDB, como com qualquer partido que queira somar com o projeto do partido, afirma o pré-candidato Valério Luiz. Desde que a cabeça de chapa seja do PT. “Existem duas formas de aliança; uma é quando alguém se alia com você e adere ao seu projeto, outra coisa é você se aliar com o outro e aderir ao projeto do outro.” O PT só se alia dentro da primeira forma, e as outras vagas na chapa majoritária estariam abertas para negociação, “desde que os partidos aliados aceitem essa condição, que é o que garantiria que eles estariam pedindo voto para um candidato cujo número é 13, estariam pedindo voto para o presidente Lula, estariam, portanto, aderindo ao nosso projeto, não ao contrário”, expõe Valério Luiz.

Marconi teria que pedir votos para Lula

De acordo com Valério Luiz, a orientação da presidente estadual do PT, deputada Adriana Accorsi, e da executiva estadual é que não será feita nenhuma negociação de modo a colocar Marconi Perillo na cabeça de chapa. Isso porque o ex-governador vem se manifestando publicamente contra o presidente Lula e o PT não vê uma disposição dele de pedir votos para o presidente Lula, condição inegociável para uma aliança. “A prioridade máxima é contribuir com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não faria nenhum sentido fazer uma aliança para ampliação do palanque no estado de Goiás e dentro desse palanque ter pessoas que têm resistência de voto com o Lula.”

MDB na chapa de Lula enfraquece Daniel

A articulação nacional de Lula com o MDB não tem impacto na decisão do PT em Goiás, na avaliação de Valério Luiz, uma vez que o MDB goiano caminha com o caiadismo. “Daniel Vilela se comporta publicamente como alguém que pretende ser o sucessor do caiadismo e do projeto do Ronaldo Caiado, portanto não vejo como isso poderia influenciar as negociações no estado de Goiás.” Todavia, pode influenciar na campanha eleitoral em Goiás. “Se o  presidente Lula colocar o MDB na vice, isso enfraqueceria a campanha e a candidatura do Daniel Vilela, porque isso seria usado não por nós, mas pelos adversários dele, de que ele está num partido que em âmbito nacional está apoiando o Lula”.

Segundo turno

Em um eventual segundo turno sem o PT, o partido deve apoiar o candidato que pedir voto para o Lula no segundo turno.  

Mabel era o mal menor

Na eleição para prefeito de Goiânia, em 2024, o PT liberou a militância para votar, e houve um apoio a Sandro Mabel porque era considerado o mal menor. “Por mais que Sandro Mabel seja um mal menor em relação ao Fred Rodrigues, é um governo completamente contrário aos princípios que a gente apregoa. Nós acreditamos na função social do Estado e que o Estado tem capacidade de oferecer um serviço público com eficiência. Não endeusamos a iniciativa privada como um único polo da sociedade possível de ter eficiência”, avalia Valério Luiz.

Usurpação 

Valério Luiz avalia que Goiás é considerado um estado bolsonarista em razão da falta de informação sobre as realizações do poder público. Muitas obras realizadas em Goiás advém de recursos federais, segundo o pré-candidato, e isso não chega ao conhecimento das pessoas. “As pessoas acham que as obras foram feitas com recursos estaduais, e são vendidas como se fossem obras do governo estadual, quando na verdade têm uma participação grande do governo federal.” A força do governador Ronaldo Caiado, principalmente no interior, impede, de acordo com ele, que aquilo que o governo federal tem feito chegue ao conhecimento das pessoas. 

Falta comunicar

Valério Luiz aponta falhas na comunicação do próprio governo Lula, que não soube capitalizar inclusive a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ele cita como exemplo a versão falsa da taxação do PIX, que ainda persiste nos grupos de WhatsApp, e a proposta do fim da escala 6×1. “É uma iniciativa do governo federal que precisa ser melhor propagandeada pela população goiana.” 

Falta projeto

Falta para o PT de Goiás um projeto unificado do ponto de vista majoritário, afirma o pré-candidato petista, com expectativa real de chegar ao governo do estado e de se programar no tempo para que isso aconteça. “Mas acho que o PT vai sair amadurecido desse processo, no que depender de mim, do vereador Fabrício Rosa, que é o meu principal apoiador dentro do partido, a gente pretende contribuir para que o partido comece a se organizar dentro dessa perspectiva de planejar candidaturas majoritárias para que nós possamos voltar a disputar esses cargos de forma competitiva.”

Embate ideológico

Se escolhido candidato do PT ao governo,Valério Luiz pretende fazer uma campanha ideologicamente bem marcada, uma vez que considera que a ideologia não é algo casual nem secundário. “Uma demarcação ideológica significa mostrar para Goiás qual é o estado que a gente quer e em que exatamente ele se diferencia do projeto de governo que está colocado.” O projeto de governo do PT, à esquerda, teria que beneficiar a industrialização do Estado, mas com distribuição de renda; teria que, na medida do possível, fazer reforma agrária, incentivar a agricultura familiar, beneficiar a regularização fundiária, ao invés do despejo da expulsão de pessoas. Eu acho que o mais importante é ela olhar para a nossa candidatura e entender que ela é uma alternativa diferente para que ela tenha uma opção real na hora de votar.”

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