O advogado Valério Luiz Filho, um dos pré-candidatos ao governo pelo PT, afirma que o PT já definiu que terá candidatura própria ao governo.Segundo ele, as opções fora do partido, como o ex-governador José Eliton, estão descartadas e o partido trabalha hoje com apenas dois nomes, o dele e o do vereador Edward Madureira. “Vai depender da disposição do professor Edward, se ele vai sair da chapa de deputados federais e ir para uma candidatura majoritária ou se vai continuar com o projeto para deputado federal.” Considerando inclusive o peso do professor na chapa de deputados federais e a orientação da executiva nacional do PT para que os estados elejam o maior número possível de deputados federais já visando uma base de apoio maior do presidente Lula em um eventual quarto mandato, explica. O PT em Goiás pretende ampliar a bancada federal de dois para três deputados e, na Assembleia Legislativa, eleger quatro deputados estaduais.
Aliança só com quem pedir votos para Lula

Marconi teria que pedir votos para Lula
De acordo com Valério Luiz, a orientação da presidente estadual do PT, deputada Adriana Accorsi, e da executiva estadual é que não será feita nenhuma negociação de modo a colocar Marconi Perillo na cabeça de chapa. Isso porque o ex-governador vem se manifestando publicamente contra o presidente Lula e o PT não vê uma disposição dele de pedir votos para o presidente Lula, condição inegociável para uma aliança. “A prioridade máxima é contribuir com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e não faria nenhum sentido fazer uma aliança para ampliação do palanque no estado de Goiás e dentro desse palanque ter pessoas que têm resistência de voto com o Lula.”
MDB na chapa de Lula enfraquece Daniel
A articulação nacional de Lula com o MDB não tem impacto na decisão do PT em Goiás, na avaliação de Valério Luiz, uma vez que o MDB goiano caminha com o caiadismo. “Daniel Vilela se comporta publicamente como alguém que pretende ser o sucessor do caiadismo e do projeto do Ronaldo Caiado, portanto não vejo como isso poderia influenciar as negociações no estado de Goiás.” Todavia, pode influenciar na campanha eleitoral em Goiás. “Se o presidente Lula colocar o MDB na vice, isso enfraqueceria a campanha e a candidatura do Daniel Vilela, porque isso seria usado não por nós, mas pelos adversários dele, de que ele está num partido que em âmbito nacional está apoiando o Lula”.
Segundo turno
Em um eventual segundo turno sem o PT, o partido deve apoiar o candidato que pedir voto para o Lula no segundo turno.
Mabel era o mal menor
Na eleição para prefeito de Goiânia, em 2024, o PT liberou a militância para votar, e houve um apoio a Sandro Mabel porque era considerado o mal menor. “Por mais que Sandro Mabel seja um mal menor em relação ao Fred Rodrigues, é um governo completamente contrário aos princípios que a gente apregoa. Nós acreditamos na função social do Estado e que o Estado tem capacidade de oferecer um serviço público com eficiência. Não endeusamos a iniciativa privada como um único polo da sociedade possível de ter eficiência”, avalia Valério Luiz.
Usurpação
Valério Luiz avalia que Goiás é considerado um estado bolsonarista em razão da falta de informação sobre as realizações do poder público. Muitas obras realizadas em Goiás advém de recursos federais, segundo o pré-candidato, e isso não chega ao conhecimento das pessoas. “As pessoas acham que as obras foram feitas com recursos estaduais, e são vendidas como se fossem obras do governo estadual, quando na verdade têm uma participação grande do governo federal.” A força do governador Ronaldo Caiado, principalmente no interior, impede, de acordo com ele, que aquilo que o governo federal tem feito chegue ao conhecimento das pessoas.
Falta comunicar
Valério Luiz aponta falhas na comunicação do próprio governo Lula, que não soube capitalizar inclusive a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ele cita como exemplo a versão falsa da taxação do PIX, que ainda persiste nos grupos de WhatsApp, e a proposta do fim da escala 6×1. “É uma iniciativa do governo federal que precisa ser melhor propagandeada pela população goiana.”
Falta projeto
Falta para o PT de Goiás um projeto unificado do ponto de vista majoritário, afirma o pré-candidato petista, com expectativa real de chegar ao governo do estado e de se programar no tempo para que isso aconteça. “Mas acho que o PT vai sair amadurecido desse processo, no que depender de mim, do vereador Fabrício Rosa, que é o meu principal apoiador dentro do partido, a gente pretende contribuir para que o partido comece a se organizar dentro dessa perspectiva de planejar candidaturas majoritárias para que nós possamos voltar a disputar esses cargos de forma competitiva.”
Embate ideológico
Se escolhido candidato do PT ao governo,Valério Luiz pretende fazer uma campanha ideologicamente bem marcada, uma vez que considera que a ideologia não é algo casual nem secundário. “Uma demarcação ideológica significa mostrar para Goiás qual é o estado que a gente quer e em que exatamente ele se diferencia do projeto de governo que está colocado.” O projeto de governo do PT, à esquerda, teria que beneficiar a industrialização do Estado, mas com distribuição de renda; teria que, na medida do possível, fazer reforma agrária, incentivar a agricultura familiar, beneficiar a regularização fundiária, ao invés do despejo da expulsão de pessoas. “Eu acho que o mais importante é ela olhar para a nossa candidatura e entender que ela é uma alternativa diferente para que ela tenha uma opção real na hora de votar.”















