Escala 6×1: estudo mostra que 66,8% dos trabalhadores já cumprem 40 horas semanais
Ministro Luiz Marinho defende redução imediata da jornada com base em dados do eSocial; impacto na massa salarial seria de 4,7%
Por Redação Tribuna do Planalto em 11/03/2026 - 19:47
Foto: Reprodução
Levantamento inédito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)revela que a Escala 6×1 já não é realidade para a maioria dos brasileiros. Dos 50,3 milhões de vínculos analisados no eSocial, 66,8% cumprem jornada de 40 horas semanais, tendendo ao modelo 5×2. O estudo mostra que 33,2% ainda trabalham seis dias por semana, totalizando 44 horas ou mais.
Com base nos dados, o ministro Luiz Marinho defendeu a redução imediata da jornada durante audiência na Câmara. Para ele, a economia brasileira já tem lastro para acabar com a Escala 6×1 sem prejuízos. O impacto adicional sobre a massa de rendimentos seria de 4,7%, percentual considerado administrável diante dos benefícios sociais esperados.
O levantamento analisou celetistas, estatutários, autônomos e outros vínculos com auxílio de inteligência artificial. A interpretação dos dados reforça que a transição para 40 horas semanais é uma tendência consolidada no mercado de trabalho brasileiro.
Fonte: Agência Gov
Redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos
Estudo da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil. O levantamento integra o Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida. A conclusão central é que o país está pronto para trabalhar menos.
Com base na Pnad Contínua do IBGE, o dossiê revela que cerca de 21 milhões de trabalhadores já cumprem jornada superior a 44 horas, e 76,3% dos ocupados trabalham mais de 40 horas semanais. A redução da jornada de trabalho atingiria diretamente 76 milhões de pessoas na escala 4×3, ou 45 milhões na migração para 40 horas semanais no modelo 5×2. A pesquisadora também destaca os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais.
O estudo da Unicamp se soma a outras análises, como nota técnica do Ipea que concluiu que os custos da redução seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo, sem gerar desemprego. Na indústria e comércio, o impacto operacional seria inferior a 1%. A redução da jornada de trabalho é prioridade do governo para 2026, com diálogo liderado pelo ministro Guilherme Boulos e respaldo do presidente Lula.
Evidências internacionais reforçam o debate: na Islândia, a jornada de 35 horas em 2023 resultou em crescimento de 5% e aumento de produtividade. No Japão, escala 4×3 elevou em 40% a produtividade individual. A última redução no Brasil ocorreu na Constituição de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas em meio à recessão, sem quebra das empresas. A redução da jornada de trabalho volta à pauta como medida de dignidade e eficiência econômica.
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