Uma nova tecnologia de curtimento de couro começou a ser aplicada em Goiás com a proposta de reduzir o consumo de água, energia e insumos químicos em uma das etapas mais críticas da indústria. O método já está em funcionamento em uma unidade no município de São Luís de Montes Belos e integra um movimento mais amplo de adaptação do setor a práticas com menor impacto ambiental.
O curtimento é o processo responsável por transformar a pele animal em couro, garantindo resistência e durabilidade ao material. Tradicionalmente, essa etapa exige grande volume de recursos naturais e gera resíduos que precisam de tratamento específico, o que torna o setor alvo frequente de debates ambientais.
De acordo com dados divulgados pela JBS Couros, a nova tecnologia pode economizar até 16 litros de água por pele processada e reduzir em cerca de 15% o uso de produtos químicos. A empresa é responsável pela implementação inicial do modelo no país, mas a tecnologia também reflete uma tendência mais ampla de modernização industrial.
Outro ponto relevante é a redução de resíduos. O volume de lodo e de cromo residual — elemento utilizado no curtimento — pode cair em até 65%, o que representa um impacto direto na carga ambiental do processo. Também foram registrados ganhos de eficiência energética, com diminuição no consumo de energia térmica e menor utilização de sal.
A tecnologia já está em operação em unidades nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A previsão é de expansão gradual nos próximos meses, acompanhando a busca do setor por alternativas que conciliem produtividade e exigências ambientais cada vez mais rigorosas.
Especialistas apontam que mudanças desse tipo tendem a ganhar espaço diante da pressão de mercados internacionais e de regulações mais restritivas. A indústria do couro, que historicamente enfrenta críticas pelo impacto ambiental, passa por um processo de adaptação, no qual a redução do consumo de recursos e da geração de resíduos se torna um fator estratégico.
Com a adoção dessa tecnologia, Goiás passa a integrar esse cenário de transformação industrial, em um setor diretamente ligado à cadeia do agronegócio e com relevância econômica para o país.














