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Oposição ainda tenta encontrar caminho para enfrentar Daniel

Wilder aposta na mobilização da direita conservadora, enquanto Marconi aposta na memória do “Tempo Novo”


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 10/05/2026 - 08:45

Marconi e Wilder
Movimentações de Wilder e Marconi expõem leituras diferentes sobre o eleitorado goiano (Fotos: Divulgação)

A oposição em Goiás ainda não definiu quem terá condições reais de polarizar com Daniel Vilela em outubro, mas os movimentos de Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) já revelam estratégias distintas. Wilder antecipou a pré-campanha com encontros de mobilização do eleitorado conservador ligado ao bolsonarismo. Marconi, por outro lado, mantém articulações mais reservadas com antigos quadros tucanos, ex-prefeitos e lideranças tradicionais, apostando na memória administrativa e na experiência de gestão que representou o “tempo novo”.

A diferença entre as duas movimentações acaba revelando também leituras distintas sobre o atual momento político de Goiás. No entorno de Wilder, prevalece a avaliação de que o crescimento da direita conservadora no estado alterou de forma estrutural o ambiente eleitoral e abriu espaço para uma candidatura mais ideológica, menos dependente de estruturas partidárias tradicionais e mais conectada ao eleitorado bolsonarista do interior. A estratégia do senador passa justamente por ocupar esse espaço antes que sejam cooptados para outro projeto.

Já no grupo de Marconi Perillo, a percepção é de que ainda existe um eleitorado relevante menos mobilizado por pautas ideológicas e mais atento à comparação entre gestões, capacidade administrativa e experiência política. Por isso o ex-governador intensificou entrevistas à imprensa, evita antecipar decisões importantes, como a escolha do nome para vice-governadoria, e mantém um ritmo mais cauteloso de articulação, apostando que o ambiente eleitoral ainda será influenciado pela disputa presidencial, pelo desgaste natural do governo ao longo do mandato e pela reorganização das forças políticas no estado.

Essa diferença de estratégia ajuda a explicar por que os dois grupos hoje praticamente conversam com públicos distintos dentro da oposição. Wilder repercute mais entre setores conservadores, ligados ao agronegócio, segurança pública e pautas de costumes. Marconi ainda mantém alguma presença entre lideranças tradicionais do interior, antigos prefeitos, quadros históricos da política estadual e setores que viveram os ciclos administrativos tucanos em Goiás.

Racha

O problema para Wilder é que parte importante da disputa parece ocorrer dentro do próprio campo conservador antes mesmo de alcançar efetivamente o governo estadual. A crise envolvendo os deputados estaduais Major Araújo e Amauri Ribeiro na Assembleia Legislativa acabou expondo publicamente essa tensão. O confronto começou após Amauri atacar Wilder da tribuna e acusar o senador de ter se afastado de pautas ligadas ao bolsonarismo ao não participar da votação envolvendo Jorge Messias no STF.

A reação de Major Araújo elevou ainda mais o desgaste interno do PL ao acusar Amauri de atuar alinhado ao governo dentro do partido. Nos bastidores, aliados de Wilder interpretaram o episódio como sinal de uma disputa mais profunda pelo controle político da direita em Goiás e passaram a reforçar a narrativa de que setores próximos ao Palácio das Esmeraldas trabalham para fragmentar a oposição conservadora antes do início formal da campanha.

Enquanto isso, Daniel acompanha um cenário em que a oposição continua sem um antagonismo claramente consolidado. A disputa, neste momento, parece menos centrada em nomes e mais na tentativa de entender qual eleitorado será predominante em Goiás nestas eleições.

 

PT ainda não definiu quem representará palanque de Lula

A pouco mais de três meses da definição das candidaturas, o PT ainda não consolidou um nome para disputar o governo de Goiás e representar o palanque do presidente Lula no estado. Apesar de o lulismo manter presença eleitoral em segmentos urbanos, movimentos sociais e parte do funcionalismo público, o partido segue sem uma candidatura estadual claramente estruturada para este ano.

Nos bastidores, o nome mais lembrado continua sendo o da deputada federal Adriana Accorsi, principalmente pelo desempenho eleitoral recente e pela identificação histórica com o partido. Ainda assim, ela não se empolga com a ideia, enquanto interlocutores petistas reconhecem que Goiás se tornou um ambiente difícil para a esquerda nos últimos anos.

Um núcleo do PT também defende que a legenda evite isolamento político e busque construir alianças mais amplas no campo de centro-esquerda, inclusive com Marconi Perillo, sobretudo se a disputa estadual caminhar para uma polarização mais forte entre o grupo governista e setores ligados ao PL.

Enquanto lideranças nacionais ainda costuram uma alternativa, setores da base defendem que a legenda fortaleça nomes que já demonstraram interesse na disputa. Entre eles estão o advogado Valério Luiz Filho, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e o jornalista Cláudio Curado.

Valério Luiz, inclusive, sustentou à Tribuna que o PT já fechou questão sobre candidatura própria ao governo e rejeitou qualquer composição em que o partido não lidere a chapa. Segundo ele, alianças dependeriam necessariamente de apoio explícito ao presidente Lula em Goiás.

Já Cláudio Curado passou a defender publicamente que a executiva estadual acelere a definição sobre o projeto majoritário do partido porque considera que a demora encurta o tempo de pré-campanha e dificulta a construção de uma candidatura competitiva diante do grupo governista e da reorganização da direita no estado.

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