A SpaceX, empresa aeroespacial do bilionário Elon Musk, citou o Supremo Tribunal Federal (STF) como exemplo de autoridade “instável, maliciosa ou arbitrária” em seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa americana. A declaração consta na seção de riscos jurídicos e governamentais do documento protocolado na quarta-feira (20).
O prospecto menciona o bloqueio das contas da Starlink no Brasil, ocorrido em agosto de 2024. O ministro Alexandre de Moraes determinou o congelamento dos ativos da subsidiária para cobrar multas aplicadas contra a rede social X (ex-Twitter), da qual Musk também é o principal acionista. As contas da empresa ficaram retidas por 20 dias até a regularização do X. O desbloqueio só veio em setembro de 2024, após o pagamento de multas que somavam mais de R$ 18 milhões, sendo R$ 7 milhões pagos pelo X e R$ 11,2 milhões pela Starlink.
O X era uma empresa independente na época da decisão e só se tornou uma subsidiária de fato da SpaceX em fevereiro de 2026. Essa falta de vínculo direto entre as duas companhias na ocasião do bloqueio chegou a gerar divergência entre ministros do Supremo.
A oferta pública da SpaceX deve ser a maior da história de Wall Street. A empresa estuda uma avaliação de mercado de cerca de US$ 1,75 trilhão e pode captar até US$ 75 bilhões. Procurado, o STF não comentou a crítica. A Starlink tampouco respondeu aos questionamentos da reportagem.
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