A morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, após um procedimento estético com aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), e que tem causado repercussão em São Paulo, chamou atenção pelo envolvimento de uma médica que atua tanto na capital paulista quanto em Goiânia.
Roseli morreu após passar por uma aplicação do produto nos glúteos e na parte posterior das coxas em uma clínica instalada em uma sala comercial alugada na Avenida Santo Amaro, no bairro Brooklin, zona sul da capital paulista. O procedimento teria sido realizado na segunda-feira (25) pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, de 36 anos.
Segundo informações registradas pela Polícia Civil, a paciente recebeu cerca de 300 ml de PMMA e, após a intervenção, retornou ao hotel onde estava hospedada. Ela deveria voltar à clínica no dia seguinte para uma nova etapa do procedimento, incluindo aplicação adicional na região do quadril.
Na manhã desta terça, Roseli passou mal e entrou em contato com a médica. Ela foi levada de carro por aplicativo até a clínica, mas sofreu uma parada cardíaca logo ao chegar à recepção do estabelecimento e morreu no local.
O caso teve ampla repercussão em São Paulo, principalmente nas redes sociais e entre especialistas da área da saúde, reacendendo discussões sobre o uso do PMMA para fins estéticos. A Polícia Civil ouve a médica responsável e deve registrar a ocorrência como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
De acordo com informações preliminares obtidas pelos investigadores, a vítima teria desembolsado cerca de R$ 50 mil pelo procedimento. A defesa da médica afirmou, em nota, que a aplicação ocorreu “sem qualquer intercorrência” e destacou que ainda não existe laudo comprovando relação direta entre o procedimento e a morte. A profissional também declarou estar colaborando com as investigações.
O episódio volta a colocar em evidência os alertas feitos por entidades médicas brasileiras, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que se posicionam contra o uso do PMMA para aumento estético. As entidades defendem, inclusive, a proibição total da substância pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Atualmente, a Anvisa autoriza o uso do PMMA apenas para finalidades corretivas e reparadoras de saúde, sob prescrição médica. O órgão afirma que não há indicação aprovada para aumento de volume puramente estético, além de destacar que o preenchimento é definitivo, de difícil remoção e pode causar deformidades e complicações graves.













