O acidente radiológico com o césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987 e considerado o maior do tipo já registrado no Brasil, será tema de um debate especial durante o festival internacional Pint of Science, realizado nesta semana em São Paulo. A discussão acontece na quarta-feira (20), no Finnegan’s Pub, em Pinheiros, reunindo especialistas que participaram diretamente das ações de contenção da tragédia na capital goiana.
Participam do encontro Francisco Biazini e Eduardo Toyoda, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), que acompanharam os impactos da contaminação causada após a abertura de um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada de Goiânia.
O caso voltou a ganhar repercussão nacional nos últimos meses após o lançamento da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, que apresentou detalhes sobre a contaminação, as vítimas e os bastidores da operação montada para evitar um desastre ainda maior.
O acidente aconteceu em setembro de 1987, quando catadores encontraram o equipamento e levaram partes do aparelho para um ferro-velho sem saber que o material continha uma cápsula radioativa altamente perigosa. O brilho azulado emitido pela substância despertou curiosidade entre moradores, o que acabou ampliando a exposição ao material contaminado.
A tragédia deixou centenas de pessoas contaminadas, provocou mortes, sequelas permanentes e gerou um trauma histórico em Goiânia. O episódio também levou o Brasil a revisar protocolos de segurança nuclear e fiscalização de equipamentos radioativos.
O debate integra a programação do Pint of Science, festival criado na Inglaterra em 2012 e que busca aproximar cientistas da população em ambientes informais, como bares e espaços culturais. Neste ano, o evento ocorre em 213 cidades brasileiras, com palestras sobre tecnologia, saúde, astronomia, comportamento humano e patrimônio histórico.
Além da mesa sobre o césio-137, a edição paulista terá ainda uma simulação de perícia criminal na Taverna Medieval e uma visita guiada ao Cemitério da Consolação para discutir memória, antropologia e arquitetura.
A programação é gratuita e segue até quarta-feira (20), sempre no período noturno.















