O tradicional orelhão, ícone das comunicações públicas desde a década de 1970, começou a ser gradualmente retirado das ruas de todo o Brasil em 2026, em uma mudança que marca o fim de uma era nos sistemas de telefonia pública do país. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a desmontagem dos equipamentos, que há anos vinham sendo usados cada vez menos diante da popularização dos celulares e da internet móvel.
O processo de retirada dos orelhões acontece após o término das concessões do serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pelos aparelhos. Com o encerramento desse modelo, as operadoras não são mais obrigadas a manter os telefones públicos nas vias urbanas e rurais, o que acelerou o início da remoção dos equipamentos.
Segundo dados recentes, ainda existem dezenas de milhares de orelhões espalhados pelo país, mas muitos estão fora de operação há anos ou sem manutenção adequada, refletindo a queda drástica no uso. Nas últimas décadas, o número de telefones públicos instalados chegou a cair de mais de 200 mil para algumas dezenas de milhares, especialmente em grandes centros urbanos onde os serviços móveis são amplamente acessíveis.
A Anatel informou que a retirada será feita em parceria com as concessionárias de telefonia e obedecerá normas técnicas, sem comprometer o acesso da população aos serviços de comunicação. A agência ressaltou que as redes de telefonia móvel e de banda larga já garantem ampla cobertura na maioria dos municípios brasileiros, garantindo alternativas de comunicação mesmo após a remoção dos orelhões.
Em localidades onde não há cobertura de celular ou acesso à internet, alguns equipamentos podem ser preservados por mais tempo, inclusive até 31 de dezembro de 2028, para garantir que moradores em áreas isoladas não fiquem sem qualquer opção de comunicação.
Para muitos brasileiros, o orelhão representa lembranças de uma época em que era essencial para fazer ligações fora de casa, especialmente antes da popularização dos celulares e dos serviços digitais. Desde sua criação, ele marcou gerações que dependiam do aparelho para se comunicar em praças, escolas, pontos de ônibus e centros urbanos.
Especialistas em telecomunicações veem na mudança uma evolução natural dos hábitos de comunicação, refletindo o avanço tecnológico e a migração quase total para dispositivos pessoais conectados à internet. Mesmo assim, a retirada dos telefones públicos das ruas simboliza uma transformação importante na história das telecomunicações brasileiras, encerrando um capítulo presente no dia a dia de milhões de pessoas por mais de cinco décadas.













