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Artigo | Transportes… mais uma engenharia?

Por Redação - 21/12/2021

Poliana Leite é arquiteta urbanista, professora do curso de Engenharia de Transportes na Universidade Federal de Goiás (UFG) e integrante do Mova-se Fórum de Mobilidade.

A necessidade de mais investimentos em transportes para o desenvolvimento nacional, o crescimento das cidades e das dificuldades com a mobilidade urbana, o debate sobre mudanças climáticas que coloca o transporte em destaque, os novos desafios do jeito de viver da sociedade atual, o desenvolvimento da tecnologia, o fenômeno das cadeias globais de valor são fatores que afetam o desenvolvimento econômico, ambiental e social e trazem novos desafios para área de transportes. 

Outro grande desafio a ser vencido na área de transportes é a fragmentação do planejamento e da gestão em todas as esferas públicas. Muitas instituições trabalhando de forma desarticulada, conceitos divergentes, com dados e informações insuficientes impactam nos serviços, nas políticas públicas e no mercado. Esse quadro pode ser um reflexo da especialização baseada nos modos de transportes e, consequentemente, da necessidade de ter uma visão mais sistematizada do assunto. 

Historicamente, as pessoas que trabalhavam e estudavam na área vinham de formações diversas, sem a complexa base conceitual, o que trazia um desafio ainda maior por terem que aprender e atuar. Identificou-se aí uma carência do mercado, surgindo a necessidade de criação de uma graduação específica na formação do engenheiro de transportes. 

E assim, no período recente, foram implantados cursos de graduação na área de transportes em todo o Brasil. De 2009 até esse ano, foram abertos 13 cursos de graduação em engenharia de transportes ou afins, sendo a maioria com formação generalista (alguns são específicos para ferrovias e logística). Dois desses cursos estão na Região metropolitana de Goiânia: um em Goiânia, no IFG e um em Aparecida de Goiânia, na UFG. 

A multidisciplinaridade é característica importante nesses cursos. Afinal, lidar com transportes exige visão ampla de processos de abrangência mundial e o profissional de transportes deve ser formado tanto para atender necessidades locais quanto para assumir posições de liderança em qualquer lugar. Mas não é só isso. O mundo está mudando rápido e não sabemos que tipo de problemas vamos enfrentar. A pandemia da COVID-19 é um exemplo disso. Muitas vezes, o conhecimento técnico necessário para resolver os novos desafios não existe e por isso esse profissional deve ser capaz de identificar problemas, formular hipóteses, estabelecer objetivos e metas e criar o processo necessário para atingi-los. 

O impacto positivo de profissionais com esse tipo de formação interdisciplinar e visão sistêmica para a sociedade é, além de tudo, a operacionalização de projetos integrados, que consideram o sistema de transporte inserido em seu ambiente e relacionado aos outros sistemas sobre os quais impactam ou é impactado. É um novo profissional, que traz boas perspectivas de benefícios para o setor e enriquecimento em pesquisa e desenvolvimento. 

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