O ex-vereador Bill Guerra (MDB) foi processado criminalmente pelo vereador Igor Franco (MDB) após protagonizar, na semana passada, um episódio de repercussão pública na Câmara Municipal de Goiânia. Durante sessão transmitida ao vivo, Bill invadiu o plenário acusando Igor de ameaçar ele e sua família por divergências relacionadas a emendas parlamentares.
A acusação, feita sem apresentar provas, resultou em uma interpelação judicial criminal protocolada na Vara Criminal de Goiânia, assinada pelas advogadas Laura Meyer e Cláudia Esposito. O pedido tem fundamento nos artigos 26 e 27 do Código de Processo Penal e menciona o artigo 144 do Código Penal, por se tratar de ofensa dirigida a um vereador no exercício do cargo.
Na ação, Igor pede que Bill explique judicialmente as declarações públicas e apresente documentos ou testemunhas que sustentem a acusação de ameaça. Caso se recuse ou dê respostas evasivas, o vereador poderá ajuizar queixa-crime por calúnia e difamação, além de eventual ação civil por danos morais.
“A acusação, além de grave, foi feita em contexto institucional, causando repercussões políticas, sociais e pessoais ao interpelante”, registra o documento. A ação também sustenta que o episódio configurou calúnia e difamação, uma vez que Igor Franco “jamais manteve contato recente com o interpelado, que se encontra bloqueado há anos de seus meios de comunicação”.
Acusações públicas
Os vídeos anexados à ação mostram Bill, de forma exaltada, acusando Igor de perseguição e de “mandar gente atrás” dele. A cena, reproduzida por veículos de imprensa e redes sociais, foi seguida por uma série de entrevistas nas quais o ex-vereador apresentou versões distintas e justificativas divergentes.
Na tentativa de explicar suas falas, Bill afirmou que apenas “seguiu orientações” e depois decidiu rever as destinações ao constatar “problemas em documentos”. Em entrevista à Tribuna do Planalto, na quinta-feira (2), Guerra declarou que agiu de última hora na destinação das emendas.
Questionado se conhecia a entidade à qual destinou R$ 2,5 milhões, ele respondeu que “não, na verdade eu nem lá eu fui”. Em seguida, disse que resolveu mudar o objeto para a Associação Goiana dos Criadores de Zebu, organizadora da feira de negócios agropecuários Agrovem. “Vi que estava acontecendo esse evento, passei a saber se podia destinar para lá e destinei as emendas para lá, e tanto é que o evento foi feito e já aconteceu, já passou já”, disse.
Segundo o Portal da Transparência da Prefeitura de Goiânia, foram destinados R$ 2.516.853,23 para a entidade, mesmo valor que teve previsão original para o Instituto Equestre Camilla Costa.
Outra parte foi redirecionada para a Comunidade Batista, que possui dois Termos de Fomento com a Prefeitura de Goiânia na ordem total de R$ 13 milhões. O primeiro, de R$ 5,9 milhões para cursos de formação, já teve parte dos pagamentos realizados, mas que não contemplam indicação de Bill Guerra.
Segundo ele, os recursos que enviou à instituição vão custear projetos na área da saúde, mas ainda não tiveram os pagamentos realizados pelo Paço Municipal. “Vai ser na área da saúde, inclusive vai começar a fazer as ações agora, eu vou participar, mas nem foi pago essa emenda ainda”, explica o ex-vereador.
Igor Franco aponta motivação política nas acusações de Bill Guerra
O vereador Igor Franco (MDB) negou à Tribuna as acusações feitas por Bill Guerra, que o acusou de ameaças durante sessão da Câmara de Goiânia, na semana passada. Em nota, o parlamentar afirmou não ter discutido nem encostado no ex-vereador e classificou as declarações como “infundadas” e de cunho político.
“O Bill Guerra é uma pessoa que ganha a vida com polêmicas, é uma figura politicamente irrelevante no momento, que busca pautas apenas para tentar ganhar visibilidade. Além disso, é aliado de um pré-candidato a deputado federal e está tentando me atacar com acusações infundadas e sem qualquer prova”, disse Igor.
O vereador também levantou dúvidas sobre um dos pontos citados por Bill em entrevista à Tribuna do Planalto, ao mencionar suposto envolvimento de um servidor da Assembleia Legislativa (Alego).
“Uma dúvida: o que um servidor da Alego estava fazendo na Câmara no horário do seu expediente?”, questionou.
Questionado pela reportagem, Bill Guerra disse que não pretende se candidatar no ano que vem e que deve buscar novo mandato de vereador em 2028. “Não tenho intenção nenhuma de ganhar política para deputado estadual ou federal, o meu intuito é trabalhar futuramente para ser candidato a vereador de novo”, disse.
O ex-vereador também alegou que há um servidor da Câmara envolvido em suposta cobrança de R$ 100 mil, dívida que contesta. Igor Franco diz desconhecer as cobranças e reafirma que não tem qualquer relação com o ex-parlamentar.
Três perguntas para Bill Guerra
Havia alguma conversa de repassar valores? Como funciona na prática?
Não. Na verdade, eu tinha feito essas destinações em questão de parceria mesmo. De seguir no grupo dele esse ano, trabalhar juntos, ajudar a população com estes eventos que fazem atendimento na saúde, na área do esporte. Só que quando eu fui analisar, eu vi que realmente as ONGs não estavam adequadas para receber as emendas. Aí eu tirei as emendas dele e, de lá para cá, ele fica atrás de mim fazendo essa ladainha e falando que eu devo para eles dinheiro. Porque eu tirei as emendas deles, entendeu? Aí eu sei lá se eles gastaram com alguém, aí eles ficam falando que eu devo para eles. Então eu não devo para eles e vou provar que eu não devo. Se tem algum documento que eu devo dinheiro para eles, eles pegam e colocam em público então e vai na justiça e me aciona, não fica me ligando, me intimidando, não.
De suas emendas que foram reprogramadas, a maior parte foi para a Feira Agrovem. Quem intermediou a destinação desta emenda?
As emendas foram destinadas através de mim mesmo, porque quando eu tirei as emendas de lá, eu tinha que destinar elas para algum lugar. Eu destinei a metade para a saúde e destinei, porque eu vi que estava acontecendo esse evento, passei a saber se podia destinar para lá. Eu fui e destinei as emendas para lá, e tanto é que o evento foi feito e já aconteceu, já passou já.
Na época, a Tribuna do Planalto mostrou que a destinação ocorreu a poucos dias do evento. Você já conhecia o grupo que organizou o evento? Qual é sua relação política com eles?
Eu destinei porque fiquei sabendo do evento, fiquei sabendo se podia destinar pra lá e destinei. Está lá, se tiver alguma coisa errada, a culpa não é minha. Teve o documento, teve tudo certinho, foi aprovado, passou na Prefeitura e foi paga as emendas. Então, assim, diferente de muitas que estão enviando para ONGs aí, inclusive muitas pessoas envolvidas com vereador, a minha você pode ver lá se tem alguém envolvido comigo em negócio de evento. Simplesmente foi destinado pra fazer o evento, o evento aconteceu.













