O Rio de Janeiro será o centro do debate global sobre HIV/AIDS entre os dias 26 e 31 de julho, quando sediará a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (Aids 2026). Promovida pela Sociedade Internacional de AIDS (IAS), a edição acontece pela primeira vez na América do Sul e terá como tema “Repensar, Reconstruir e Ascender”.
A escolha do Brasil como sede reflete o reconhecimento internacional da resposta brasileira à epidemia. O país foi o primeiro com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do HIV — da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação —, conforme certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em dezembro de 2025.
A conferência reunirá até 10 mil pessoas, incluindo pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde, ativistas e pessoas vivendo com HIV. O formato será híbrido, com participação presencial no Riocentro e virtual. A programação inclui sessões científicas, workshops, apresentações de pesquisas e o Global Village, espaço comunitário que este ano terá a presença articulada do Movimento Brasileiro de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (MBP+), composto por cinco redes nacionais.
O protagonismo brasileiro
O Brasil construiu uma trajetória reconhecida internacionalmente no enfrentamento ao HIV. Em 1996, foi o primeiro país de baixa e média renda a garantir acesso gratuito à terapia antirretroviral pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2013, adotou a política “Tratamento para Todos”. Atualmente, o SUS oferece acesso universal a preservativos, testes rápidos, profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP).
O impacto dessas políticas se reflete nos números: entre 2010 e 2023, as mortes relacionadas à AIDS caíram quase 33% no país. O Ministério da Saúde também destaca a queda de 13% no número de óbitos por aids e a eliminação da transmissão vertical do HIV.
Desafios regionais e globais
O evento ocorre em um momento crítico para a resposta global à AIDS. A América Latina, embora tenha ampliado o acesso ao tratamento, registrou aumento de 9% nas novas infecções por HIV entre 2010 e 2023, enquanto o mundo registrava queda. O crescimento foi de 20% entre homens que fazem sexo com homens, 42% entre profissionais do sexo e 19% entre mulheres trans.
A conferência também abordará a crise de financiamento que ameaça programas de HIV em diversos países. Em junho, a Assembleia Geral da ONU adotou nova Declaração Política sobre HIV/AIDS, estabelecendo meta de US$ 21,9 bilhões anuais até 2030 para países de baixa e média renda.
A presidente da IAS e pesquisadora da Fiocruz, Beatriz Grinsztejn, afirmou que “a resposta brasileira, fundamentada nos direitos humanos, no acesso universal e no forte engajamento comunitário, oferece um cenário estratégico para fortalecer a resposta ao HIV no país, na região e no mundo”.
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