O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deveria ter comunicado ao governo de Goiás eventuais vínculos de fornecedores de organizações sociais contratadas pelo estado com o narcotráfico. A declaração foi dada após reportagens apontarem que o governo goiano pagou R$ 209 milhões a empresas ligadas a Thiago Telles Batista de Souza, empresário investigado por suspeita de atuação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) .
As investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam Thiago Telles como “beneficiário final” de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. O dinheiro abastecia empresas que prestavam serviços ao Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), organização social contratada pelo governo goiano para administrar unidades de saúde .
Caiado respondeu por escrito às perguntas enviadas pela reportagem do Metrópoles. Ele disse que não mantém relação pessoal com a advogada Maria Caroline Lazarini Dias, que dirigiu o Imed, e que a conheceu apenas na qualidade de prestadora de serviços ao governo .
A função do Coaf
A função do Coaf é notificar autoridades investigativas, como Ministério Públicos e polícias, quando há um conjunto de operações financeiras suspeitas. O órgão não comunica diretamente os governos estaduais .
Caiado afirmou que o governador não tem acesso a dados do Coaf. “Se essas pessoas têm vínculo com o narcotráfico, isso deveria ter sido preventivamente informado ao governo do Estado, já que apenas o Coaf do governo federal tem acesso a dados do sistema financeiro que permitiriam a identificação e a ação preventiva”, declarou .
O pré-candidato também questionou se não estaria havendo “conivência ou omissão do Coaf na prevenção de crimes dessas organizações criminosas”. Ele indagou: “De quem parte a ordem para calar o Coaf?” .
Contratos investigados
O governo de Goiás pagou R$ 209 milhões a empresas ligadas a Thiago Telles entre 2020 e 2025. Os recursos chegaram às empresas do investigado por meio do Imed, organização social contratada pelo estado para administrar hospitais e unidades de saúde .
As investigações apontam que o empresário, apelidado de “Tom Cruise”, comprava grandes volumes de dinheiro em espécie de intermediários da facção criminosa. O período das transações coincide com a vigência dos contratos públicos da empresa .
Ao todo, entre 2019 e 2025, o Imed recebeu R$ 1,4 bilhão do governo de Goiás. Desse montante, R$ 209 milhões foram destinados a empresas vinculadas a Thiago Telles .
O que diz o governo de Goiás
A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) afirmou que os contratos firmados pela organização social se referem exclusivamente a serviços de apoio operacional e administrativo. A pasta declarou que “a contratação de fornecedores pelas Organizações Sociais é de responsabilidade exclusiva da entidade gestora, não dependendo de autorização prévia da Secretaria de Estado da Saúde” .
A secretaria também disse que cabe à SES-GO fiscalizar a execução do contrato de gestão, o cumprimento de metas e a correta aplicação dos recursos públicos. A pasta afirmou que já encaminhou denúncias e informações a órgãos de controle e investigação em situações anteriores .
O Imed declarou que desconhece as investigações policiais. A organização social afirmou que cada contratação “obedece a processo de seleção pública, previsto em regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle”. O instituto também informou que a advogada Maria Caroline Lazarini Dias não é dirigente da organização, mas sócia do escritório que presta assessoria jurídica ao Imed .
Elogios públicos ao Imed
Caiado fez elogios públicos ao Imed em diferentes ocasiões. Em maio de 2021, durante visita ao Hospital de Formosa (GO), administrado pela entidade, o então governador agradeceu à organização social pela atuação na unidade .
“Agradeço a toda a minha equipe e, principalmente, à administração do Imed, que, como organização social, veio com o objetivo de mostrar que podíamos fazer bem e atender à população”, afirmou Caiado na ocasião. No mesmo evento, Maria Caroline Lazarini disse que o governador tinha “visão de futuro” .
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