O Tribunal do Júri de Aparecida de Goiânia condenou Janildo da Silva Magalhães a 48 anos e seis meses de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado, sequestro e ocultação de cadáver contra a estudante Amélia Vitória Oliveira de Jesus, de 14 anos. A sentença foi proferida pelo juiz Leonardo Fleury Curado Dias no dia 7 de outubro de 2025.
O crime ocorreu em 30 de novembro de 2023, quando Amélia saiu de casa, no Parque Atalaia, para procurar a irmã e desapareceu. Após dias de buscas, o corpo foi encontrado em 2 de dezembro, dentro de uma casa abandonada no Setor Parque Hayala, em Aparecida de Goiânia. As investigações da Polícia Civil e da Polícia Científica confirmaram o envolvimento de Janildo por meio de exames de DNA e imagens de câmeras de segurança.
De acordo com o processo, Janildo sequestrou a adolescente na Rua Javaí, no Parque Atalaia, e a levou para diferentes locais. Ele utilizou uma bicicleta para transportar a vítima, chegando a percorrer cerca de seis quilômetros até um imóvel usado como esconderijo para drogas e objetos furtados. No local, Amélia foi violentada diversas vezes ao longo da noite e morta por asfixia mecânica.
Julgamento e condenação
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e autoria dos crimes, rejeitando as teses da defesa. O júri considerou que Janildo agiu com extrema crueldade, utilizando recurso que impossibilitou a defesa da vítima e cometeu o assassinato para ocultar outros crimes.
Na sentença, o juiz Leonardo Fleury destacou que o réu “agiu de forma consciente, livre e determinada, demonstrando frieza, brutalidade e desprezo pela dignidade sexual e pela vida humana”. O magistrado ressaltou ainda que a culpabilidade do condenado é “altamente reprovável”, uma vez que ele planejou o crime e executou os atos de violência de maneira premeditada.
A pena foi estabelecida considerando o conjunto das infrações: 29 anos pelo homicídio qualificado, 12 anos pelo estupro, 5 anos pelo sequestro e 2 anos e 6 meses pela ocultação de cadáver, totalizando 48 anos e 6 meses de reclusão. O juiz negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, determinando sua permanência no regime fechado.
Histórico criminal e repercussão
Janildo da Silva Magalhães, de 38 anos, já tinha antecedentes por crimes como estupro, furtos, roubos, tráfico de drogas e homicídio. Segundo a investigação, ele utilizava uma bicicleta para cometer delitos na região. Após o crime contra Amélia, tentou esconder provas, pintando a bicicleta usada e rasgando a camiseta que vestia no dia do assassinato.
A sentença reconhece que a conduta do réu causou grande abalo à ordem pública e profundo sofrimento à família da vítima. O juiz ressaltou que o caso “provocou forte impacto social” e reforçou a necessidade de repressão e prevenção de crimes dessa natureza.
O assassinato de Amélia Vitória gerou grande comoção em Aparecida de Goiânia e mobilizou moradores, autoridades e familiares nas buscas pela adolescente. A condenação encerra quase dois anos após o início das investigações, representando o desfecho judicial de um dos crimes mais brutais registrados no município.
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