Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) estão desenvolvendo uma inteligência artificial capaz de interpretar o DNA humano e identificar riscos genéticos com mais rapidez e precisão. Batizado de Lumina, o projeto promete transformar a forma como exames genéticos são realizados no Brasil, com potencial para reduzir custos e ampliar o acesso a diagnósticos avançados.
A tecnologia utiliza inteligência artificial treinada especificamente com dados genéticos da população brasileira, um diferencial importante em um cenário no qual a maioria das bases de dados genômicas do mundo é composta por informações de pessoas com ancestralidade europeia.
Segundo o professor do Instituto de Informática da UFG e coordenador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), Celso Camillo, a ferramenta funciona de maneira semelhante a um “ChatGPT do DNA”. O objetivo é permitir que o sistema compreenda a linguagem genômica humana e seja capaz de analisar informações genéticas para apoiar diagnósticos e tratamentos mais personalizados.
Entre as aplicações em estudo está a identificação de predisposições genéticas para doenças, incluindo alguns tipos de câncer. A partir da análise do material genético de um paciente, a inteligência artificial pode gerar alertas sobre riscos de determinadas condições de saúde e auxiliar especialistas na interpretação de mutações associadas a doenças.
De acordo com os pesquisadores, a tecnologia também poderá acelerar a investigação de enfermidades genéticas raras ou ainda pouco conhecidas, tornando os processos mais acessíveis financeiramente.
O projeto utiliza uma tecnologia de nanoporos, sensores microscópicos que leem moléculas em tempo real por meio de correntes elétricas. À medida que o DNA atravessa um canal microscópico, são registradas alterações elétricas que permitem identificar sua composição genética instantaneamente. A metodologia dispensa grandes estruturas laboratoriais e possibilita análises mais rápidas e portáteis.
Nos testes realizados até agora, a Lumina apresentou vantagens em relação aos métodos tradicionais de sequenciamento genético, com menor custo de equipamentos, redução do tempo de análise, maior precisão diagnóstica e menor custo por amostra.
Outro diferencial do projeto é o uso de uma base de dados formada por genomas latino-americanos. Atualmente, cerca de 88% das informações genéticas disponíveis para pesquisas são de indivíduos com ancestralidade europeia, o que pode dificultar diagnósticos precisos em populações com forte miscigenação, como a brasileira.
Para os pesquisadores, ampliar a representatividade genética nacional é fundamental para aumentar a eficiência das análises e desenvolver soluções mais adequadas à realidade do país.
A iniciativa conta com a participação de pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFG e utiliza recursos computacionais fornecidos pela Amazon Web Services (AWS).
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