A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estima que o Brasil precisa investir R$ 2,03 trilhões para modernizar a infraestrutura de transporte e logística. O diagnóstico integra a publicação “O Transporte Move o Brasil – Propostas da CNT ao País”, lançada nesta quarta-feira e destinada aos candidatos à Presidência da República.
O documento será entregue aos presidenciáveis durante o Fórum CNT de Debates, previsto para agosto. A entidade defende que investimentos e programas de infraestrutura deixem de depender das prioridades de cada governo e sejam transformados em políticas permanentes de Estado.
A agenda foi elaborada pela CNT em conjunto com entidades representativas do setor. As propostas abrangem infraestrutura, regulação, financiamento, segurança pública, relações de trabalho, qualificação profissional, descarbonização e integração entre os diferentes meios de transporte.
“O transporte é um vetor estratégico para o desenvolvimento de uma nação e deve ocupar posição central na agenda de Estado brasileira. É urgente que o Brasil priorize, de forma contínua e coordenada, o planejamento de longo prazo”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Entre as medidas apresentadas estão a recomposição do orçamento federal para construção e manutenção da infraestrutura, a aprovação da PEC da Infraestrutura, o uso integral dos recursos da Cide-combustíveis no setor e o fortalecimento das concessões e parcerias público-privadas.
A CNT também propõe ampliar a atuação do mercado de capitais e de organismos multilaterais no financiamento dos projetos, além de reforçar o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na estruturação de empreendimentos considerados estratégicos.
Outro ponto é a diversificação da matriz logística brasileira. A entidade defende maior integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, com aumento da participação dos modos ferroviário e aquaviário no transporte de cargas.
Na área institucional, o documento pede marcos regulatórios mais previsíveis, maior segurança jurídica para os investidores e participação das entidades do transporte em conselhos e instâncias responsáveis pela formulação de políticas públicas.
Para enfrentar a criminalidade no setor, a CNT propõe o endurecimento das penas para roubos de cargas, agressões contra profissionais e atos de vandalismo. A agenda inclui ainda a ampliação do policiamento em rodovias, ferrovias e hidrovias e apoio à aprovação da PEC da Segurança Pública.
Na área ambiental, a confederação defende uma transição energética que considere a viabilidade econômica e operacional das empresas. As propostas incluem incentivos à eficiência energética, renovação das frotas, construção de estruturas resistentes a eventos climáticos e adaptação do mercado de carbono às características do transporte.
Segundo o documento, veículos mais modernos podem reduzir em 95,4% a emissão de poluentes prejudiciais ao meio ambiente e à saúde. A CNT também recomenda que a substituição das frotas seja associada a políticas de economia circular.
A publicação ainda defende a preservação e a ampliação da atuação do SEST SENAT na formação profissional, na saúde e na segurança dos trabalhadores. Em 2025, a instituição realizou mais de 10 milhões de atendimentos em educação profissional e outros 11 milhões na área de saúde.
A CNT representa atualmente mais de 198 mil empresas, presentes em 98,1% dos municípios brasileiros. Juntas, essas companhias respondem por mais de 2,9 milhões de empregos formais.
















