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Matheus Ribeiro diz que cassação de Aava faz parte da “legislação eleitoral” e nega perseguição política

Jornalista afirma que ação apresentada pelo PSDB não representa perseguição política


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 29/07/2026 - 10:29

Matheus Ribeiro, ao lado da vereadora Aava Santiago (Foto: Divulgação)

O agora ex-presidente do PSDB em Goiânia, Matheus Ribeiro, afirmou que a cassação do mandato da vereadora Aava Santiago (PSB) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás faz parte da aplicação da legislação eleitoral. Um dos signatários da ação apresentada pelo partido, ele rejeitou a interpretação de que o processo tenha sido motivado por perseguição política.

“A decisão partidária é uma consequência. Ela não é um ato. E é uma consequência que visa, evidentemente, como é um consenso, porque está na lei, não sou eu falando. O mandato proporcional pertence ao partido”, afirmou durante entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto.

Aava foi eleita pelo PSDB em 2024 e deixou a legenda para se filiar ao PSB. O partido acionou a Justiça Eleitoral sob o argumento de que a mudança ocorreu fora da janela partidária e sem carta de anuência. Nesta semana, o TRE-GO decidiu, por seis votos a um, pela perda do mandato.

“Houve mudança fora da janela”

Matheus afirmou que a vereadora tinha conhecimento das regras sobre fidelidade partidária. Segundo ele, Aava havia declarado, ainda no ano passado, que não deixaria o PSDB porque sabia que não havia janela aberta para a troca de legenda.

“A verdade é insuperável. E a verdade é que houve uma mudança de partido fora de uma janela partidária. Isso é uma ilegalidade. O partido defende o seu interesse”, disse.

Ele acrescentou que, na condição de presidente do diretório municipal, não poderia deixar de participar da ação por afinidade ou divergência pessoal com a parlamentar.

“Eu, enquanto presidente, jamais poderia me furtar da minha responsabilidade por gostar, não gostar, não dava. De quem quer que seja.”

PSDB descarta perseguição

Questionado sobre a leitura de que a ação poderia representar perseguição contra a mulher mais votada da história da Câmara Municipal de Goiânia, Matheus disse que a votação de Aava não interfere na aplicação das regras eleitorais.

“A cassação não é por ter sido a mais votada. Domingos, existe uma legislação eleitoral”, afirmou.

Para ele, o debate sobre o número de votos recebidos pela vereadora tenta deslocar a discussão do ponto central do processo, que é a mudança de partido fora das hipóteses autorizadas pela legislação.

“O maniqueísmo das coisas está na cabeça daqueles que se beneficiam disso e que tentam criar narrativas para suplantar a verdade”, declarou.

Matheus também explicou que o PSDB possui uma norma nacional, estabelecida em 2022, que impede a concessão de carta de anuência a filiados que utilizaram recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

“O PSDB tem uma normativa nacional de 2022 que é clara em não conceder carta de anuência para nenhum filiado que tenha utilizado recursos do Fundo Especial de Campanha nos seus pleitos”, disse.

Segundo o jornalista, a relação pessoal ou a avaliação política sobre o trabalho da parlamentar não poderia se sobrepor à norma partidária e à legislação eleitoral.

“A gente pode gostar das pessoas, achar legais, importantes e relevantes. Mas acima da lei também? Não.”

Recurso ao TSE

A defesa de Aava Santiago anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral. A vereadora sustenta que houve justa causa para deixar o PSDB e afirma que permanecerá no exercício do mandato enquanto houver possibilidade de recurso.

Matheus, por outro lado, afirmou ver com naturalidade a decisão do TRE-GO e disse esperar que as regras sejam aplicadas de maneira igual. “Ninguém está acima da lei”, concluiu.

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