A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) deu início ao processo para conquistar a certificação ISO 9001, um selo internacional que reconhece organizações com rotinas bem definidas, controle interno e melhoria contínua da gestão. Se implementado, o selo será usado pela comunicação do Paço para apontar avanço no controle interno.
A medida faz parte do processo de reorganização da estrutura da companhia, em um esforço para prepara-la à disputa de contratos públicos e privados. A ideia do prefeito Sandro Mabel (UB) é sanear a empresa e abrir o capital para a iniciativa privada em até dois anos.
A certificação será viabilizada por meio da contratação de empresa especializada em consultoria técnica, conforme edital da licitação nº 002/2025 PL, com sessão marcada para o dia 22 de setembro de 2025, às 9h, na sede da Comurg.
A consultoria será responsável por implantar o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), com base na norma ABNT NBR ISO 9001:2015, aplicada em empresas e órgãos públicos de diversos países.
A ISO 9001 estabelece padrões de organização interna, definição de responsabilidades, padronização de processos e acompanhamento sistemático das atividades. A expectativa é que a certificação fortaleça a governança da Comurg, ajude a reduzir falhas e contribua para a viabilidade da companhia a médio prazo.
Reorganização
Desde o início da atual gestão, a Comurg tem promovido ajustes para equilibrar suas contas. A folha de pagamento foi reduzida em 27%, segundo a Prefeitura de Goiânia, com corte de cargos comissionados, que caiu de 532 para 102. A estrutura administrativa também passou por cortes em chefias e diretorias.
Neste mês, a companhia também oficializou o desligamento de 668 servidores aposentados que permaneciam na ativa, gerando uma economia estimada de R$ 44 milhões por ano.
A meta é alcançar a autossuficiência financeira até outubro, com ampliação das receitas por meio de novos contratos com o setor público e privado. “Nosso plano é preparar a Comurg para competir em grandes licitações e, futuramente, até abrir capital”, afirma o prefeito Sandro Mabel.
Repasses
Como parte da estratégia de recuperação, a Prefeitura de Goiânia vai repassar R$ 190 milhões à Comurg sem autorização legislativa. A decisão passou por articulação de bastidores junto aos órgãos de controle e é vista pela gestão como a forma mais eficiente de garantir o funcionamento da companhia durante a reestruturação.
Nesta semana, R$ 58 milhões já foram empenhados em uma rubrica específica da Secretaria Municipal da Fazenda, que viabilizará a transferência dos recursos para a empresa. Vereadores fazem críticas ao modelo de transferência de recursos.
O pagamento das verbas rescisórias aos servidores desligados está previsto para o dia 18 de julho, com homologações no dia 21, em parceria com o sindicato que representa a categoria. Já o FGTS retroativo, referente ao período de outubro de 2022 a dezembro de 2024, começou a ser quitado nesta semana.
A Companhia também tem realizado auditorias internas e externas para identificar casos de mal uso dos recursos públicos, além de instaurar processos administrativos para investigar atos de ex-servidores.













