O contrato da Prefeitura de Goiânia com o Consórcio Limpa Gyn para a coleta de lixo e parte dos serviços de limpeza urbana teve aumento na produção contratada e recebeu novo aditivo de R$ 20,2 milhões, elevando em 3,81% o valor global estimado do acordo. A alteração consta no terceiro termo aditivo ao Contrato nº 020/2024, firmado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e publicado nesta terça-feira (3).
Com o novo aditivo, o contrato assinado em março de 2024 por R$ 470,3 milhões, ultrapassa agora os R$ 552 milhões, ampliando o custo total da prestação dos serviços de limpeza urbana executados pelo consórcio na capital. O incremento decorre do aumento de 7% no volume de coleta de lixo e de 4% na remoção de entulhos.
O movimento ocorre poucos dias após a Tribuna do Planalto revelar, na edição impressa do último fim de semana, a aplicação de reajuste inflacionário de 5,32% pelo IPCA, correção que havia ampliado o custo estimado do serviço para cerca de R$ 532 milhões.
Os novos termos contratuais foram publicados na mesma edição do Diário Oficial que traz o relatório da CEI da Limpeza Urbana, que investigou a prestação dos serviços da empresa ao Município. O relatório final não apontou irregularidades ou desvios de recursos, limitando-se a recomendar melhorias na fiscalização, na pesagem dos resíduos e na divulgação de informações operacionais.
Motivo da reprogramação
Documentos internos da Secretaria de Infraestrutura indicam que o aditivo foi solicitado após a área técnica identificar insuficiência nos quantitativos originalmente contratados para atender a demanda até o fim da vigência do contrato.
Segundo memorando encaminhado à pasta, projeções feitas pela equipe responsável pela fiscalização do contrato apontaram defasagem de cerca de 6,5% na estimativa de coleta de resíduos sólidos urbanos, mesmo considerando cenários de geração regular de lixo na cidade.
Outro fator citado no processo é o aumento do peso dos resíduos durante o período chuvoso, quando o material coletado absorve água e passa a registrar maior tonelagem nas medições contratuais.
O documento, assinado em 8 de dezembro, menciona a expectativa de aumento da circulação de pessoas em Goiânia em razão de eventos de grande porte, como Natal, virada de ano, Carnaval e o MotoGP 2026, o que tende a ampliar a geração de resíduos e a demanda por serviços de limpeza urbana.
Ampliação dos serviços
A reprogramação prevê aumento de 7% no quantitativo da coleta convencional de resíduos sólidos urbanos, equivalente a 59.941 toneladas adicionais no volume global contratado, e ampliação de 4% na remoção de entulhos, com acréscimo de 67.592 toneladas no quantitativo global.
De acordo com a justificativa técnica, o ajuste foi considerado necessário para garantir a continuidade da prestação dos serviços e evitar riscos operacionais decorrentes da insuficiência de capacidade contratada.
O contrato abrange atividades como coleta de lixo domiciliar e recicláveis, varrição mecanizada, remoção de entulho e o serviço conhecido como “cata-treco”, voltado ao recolhimento de objetos descartados pela população.
Histórico de aumentos
Desde a assinatura do contrato, em março de 2024, o acordo com o Consórcio Limpa Gyn já passou por diversas alterações. O valor inicial, de R$ 470,3 milhões, foi ampliado após sucessivos termos aditivos que incluíram ajustes operacionais, repactuação salarial dos trabalhadores da coleta e recomposição inflacionária prevista no contrato.
Na edição impressa publicada no último domingo, a Tribuna do Planalto mostrou que essas mudanças já haviam provocado aumento estimado de 14,2% no custo do contrato, antes mesmo da nova reprogramação da planilha orçamentária.
Com o aditivo mais recente, o contrato passa a atingir R$ 552 milhões, consolidando uma sequência de atualizações financeiras desde o início da execução do serviço, o que implica em cerca de 18% em aumento do valor original.
O termo aditivo também registra que o consórcio complementou a garantia contratual em R$ 607,7 mil e que o saldo contratual disponível para execução é de aproximadamente R$ 55 milhões.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) na manhã desta quarta-feira (4) para esclarecer quais itens da planilha tiveram maior impacto no aumento do contrato. Até a publicação desta matéria, a pasta não havia encaminhado resposta. O Consórcio Limpa Gyn também foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.
Nesta quinta-feira (5), após nova solicitação da reportagem, a Seinfra informou que “o reequilíbrio do contrato com a Limpa Gyn é um aditivo quantitativo, sem alteração dos preços unitários”. Segundo a pasta, o volume contratado era insuficiente “diante da demanda registrada, por conta da expansão urbana, o aumento da geração de resíduos sólidos e a intensificação de descartes irregulares de entulho”.













