A presença das empresas da China no consumo dos brasileiros já vai muito além das compras de roupas e acessórios em marketplaces. Marcas ligadas a veículos elétricos, eletrodomésticos, transporte por aplicativo, entrega de comida, bebidas e sorvetes ampliam os investimentos e adaptam seus produtos ao mercado nacional.
Entre as empresas que avançam no país estão BYD, Haval, Geely, Caoa Chery, Midea, Hisense, Mixue, AliExpress, Shein, Temu, 99, Didi e Keeta. Parte delas deixou de atuar apenas com mercadorias importadas e passou a produzir ou estruturar operações diretamente no Brasil.
O movimento ocorre no momento em que o Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi zerado. Os marketplaces asiáticos estão entre os beneficiados pela mudança, mas a estratégia das companhias chinesas não se limita ao comércio eletrônico.
Desde 2015, os investimentos chineses no Brasil somam R$ 230 bilhões. O tamanho do mercado consumidor e o potencial de crescimento tornam o país uma peça importante na expansão dessas empresas fora da Ásia.
Veículos elétricos ganham espaço
O Brasil já conta com 13 marcas chinesas de veículos elétricos. BYD, Haval, Geely e Caoa Chery estão entre as empresas que possuem produção local.
A BYD investe R$ 5,5 bilhões no complexo automotivo de Camaçari, na Bahia. Atualmente, a unidade monta veículos que chegam parcialmente desmontados da China. A companhia também produz chassis para ônibus elétricos, módulos fotovoltaicos, empilhadeiras e caminhões elétricos.
A empresa possui mais de 150 carregadores rápidos instalados no país e pretende inaugurar no Brasil seu primeiro sistema Flash Charging. A tecnologia consegue elevar a carga da bateria de 10% para 70% em cinco minutos e alcançar 97% em nove minutos.
Rede de sorvetes planeja mil lojas
A Mixue, empresa chinesa de bebidas e sorvetes, inaugurou sua primeira unidade brasileira em abril, na Avenida Paulista, em São Paulo. O Brasil foi o primeiro país fora da região Ásia-Pacífico a receber investimentos da companhia.
O plano é investir R$ 3 bilhões até 2030, abrir mil lojas próprias e franqueadas e construir uma fábrica. Somente neste ano, a previsão é chegar a 100 pontos de venda.
A marca também trabalha para adaptar os produtos aos hábitos dos brasileiros. Enquanto os consumidores chineses têm preferência por bebidas à base de chá e milk tea, no Brasil a busca é maior por sabores frutados, refrescantes e ingredientes tropicais.
Aplicativos e eletrodomésticos
Criada por brasileiros, a 99 foi comprada pela chinesa Didi em 2018. O aplicativo reúne 85 milhões de usuários ativos, está presente em mais de 4,4 mil cidades e possui mais de 2,5 milhões de motoristas parceiros.
A base de usuários cresceu mais de 50% nos últimos dois anos, e mais de 10 milhões de pessoas acessam a plataforma diariamente. No último ano, a empresa investiu mais de R$ 2 bilhões na expansão da 99Food.
No setor de eletrodomésticos, o Brasil é o segundo maior mercado do Grupo Midea fora da China. A empresa produz refrigeradores, máquinas de lavar e aparelhos de ar-condicionado no país. Os investimentos somente em Minas Gerais somam R$ 828 milhões.
Já o AliExpress está no Brasil há 15 anos e mantém uma parceria com o Magazine Luiza. O mercado brasileiro está entre os cinco maiores da plataforma, que atua em mais de 200 territórios.
| Marca | Segmento de atuação |
|---|---|
| BYD | Veículos elétricos, ônibus, caminhões, empilhadeiras, energia solar e mobilidade sobre trilhos |
| Haval | Veículos |
| Geely | Veículos |
| Caoa Chery | Veículos |
| Mixue | Sorvetes, bebidas geladas e chás |
| Midea | Eletrodomésticos e aparelhos de climatização |
| Hisense | Eletrodomésticos e eletrônicos |
| AliExpress | Comércio eletrônico e marketplace |
| Shein | Comércio eletrônico, moda e acessórios |
| Temu | Comércio eletrônico e marketplace |
| Didi | Tecnologia e serviços de mobilidade |
| 99 | Transporte por aplicativo, entregas, logística e serviços financeiros |
| 99Food | Entrega de refeições |
| Keeta | Plataforma de entrega de comida |
Observação: a 99 foi criada por brasileiros, mas foi comprada pela empresa chinesa Didi em 2018.
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