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Debandada histórica na ONU: 78 delegações, incluindo o Brasil, deixam salão durante discurso de Netanyahu

Brasil e outras 77 delegações deixam plenário da ONU em protesto contra Netanyahu; primeiro-ministro israelense chamou os representantes de "covardes morais"


Fábio Prado Por Fábio Prado em 25/09/2026 - 11:58

Debandada histórica na ONU: 78 delegações, incluindo o Brasil, deixam salão durante discurso de Netanyahu
Debandada histórica na ONU: 78 delegações, incluindo o Brasil, deixam salão durante discurso de Netanyahu - Foto: Reprodução/Internet

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi recebido com vaias e uma debandada de delegações na 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta quinta-feira (24), em Nova York. Ao menos 77 representações deixaram o salão antes ou durante o discurso, segundo levantamento da RRI. Entre elas, a do Brasil.

O protesto ocorreu em meio a críticas internacionais generalizadas às ações de Israel em Gaza e na Cisjordânia ocupada. Delegações de países como Indonésia, África do Sul, Turquia, Irã, Espanha, Cuba e Colômbia também se retiraram. A delegação brasileira saiu logo no início da fala de Netanyahu, em um movimento coordenado com representantes de outras nações. Segundo fontes do Itamaraty, a retirada foi um gesto de solidariedade aos 394 funcionários da UNRWA mortos em ataques israelenses desde outubro de 2023.

Netanyahu reage a protesto

Ao subir ao pódio, Netanyahu foi recebido por uma mistura de aplausos, vaias e saídas em massa. Ele reagiu de forma debochada. “Se ainda houver algum covarde moral que não tenha saído deste salão, por favor, faça-o agora”, disse o primeiro-ministro, enquanto apoiadores entoavam “Am Yisrael Chai”, expressão que significa “A nação de Israel vive”.

Netanyahu também descreveu o protesto como “uma hipocrisia estarrecedora” e defendeu as ações militares de Israel. Ele rejeitou as acusações de genocídio, chamando-as de “a maior mentira do século”, e afirmou que Israel “não cometeu genocídio, Israel impediu o genocídio”.

Contexto de críticas internacionais

A fala de Netanyahu ocorreu um dia após o presidente Lula abrir a Assembleia Geral da ONU com críticas diretas ao governo israelense. Lula afirmou que “gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”. O governo brasileiro tem adotado postura de firme crítica às ações militares de Israel, ao mesmo tempo em que defende a solução de dois Estados.

A saída das delegações também ocorre em um contexto de isolamento diplomático crescente de Israel. Uma comissão independente da ONU publicou relatório em junho concluindo que Israel tem cometido atos de genocídio ao atacar deliberadamente crianças palestinas, com mais de 20 mil menores mortos desde outubro de 2023. O Tribunal Penal Internacional também emitiu mandado de prisão contra Netanyahu por supostos crimes de guerra.

A 81ª Assembleia Geral da ONU segue até o fim de setembro, em Nova York, com discursos de chefes de Estado e debates sobre temas globais. As sessões podem ser acompanhadas ao vivo pelos canais oficiais da ONU e pela TV Brasil. Informações sobre a posição brasileira em relação ao conflito no Oriente Médio estão disponíveis nos canais oficiais do Itamaraty e da Presidência da República.

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