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Dentista que deformou rostos de pacientes é presa preventivamente em Goiânia

A investigação indica que a profissional e outros três dentistas realizavam procedimentos expressamente vedados pelo Conselho Federal de Odontologia


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 30/01/2024 - 10:36

Dentista foi presa hoje pela Polícia Civil, em Goiânia (Imagens: PCGO)

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), cumpriu hoje mandado de prisão preventiva de uma dentista, investigada por realizar procedimentos estéticos que resultaram em deformações nos rostos de pacientes. Também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos municípios de Goiânia e Santa Bárbara de Goiás, em endereços ligados à investigada.

Conforme investigação, o instituto coordenado pela profissional, localizado no Setor Oeste, em Goiânia, foi alvo de busca e apreensão em um inquérito instaurado para apurar os crimes de exercício ilegal da profissão (art. 282, do Código Penal) e execução de serviço de alta periculosidade (art. 65 do Código de Defesa do Consumidor).

A investigação indicava que a profissional e outros três dentistas realizavam procedimentos expressamente vedados pelo Conselho Federal de Odontologia na Resolução nº 230/2020. As cirurgias plásticas eram ofertadas nas redes sociais dos odontólogos por valores abaixo do mercado, atingindo uma ampla gama de pessoas. A apuração constatou, ainda, que a dentista vendia abertamente as cirurgias em seu Instagram, que possui mais de 650 mil seguidores. Além disso, a investigada ministrava cursos para que outros profissionais da saúde executem tais cirurgias sob sua “supervisão”.

Na primeira fase da operação, foram encontrados diversos instrumentos cirúrgicos, anestésicos e medicamentos vencidos na clínica de propriedade da investigada. Os materiais foram apreendidos e descartados pela Vigilância Sanitária, que também autuou a dentista por infrações administrativas, dentre elas, a inadequação do alvará sanitário do estabelecimento, que não autorizava a realização de nenhum procedimento invasivo.

Após a apreensão do celular utilizado pelo estabelecimento para contactar os pacientes, os policiais civis descobriram inúmeros casos de consumidores que ficaram com rostos deformados após a realização de cirurgias com a profissional e/ou com seus “alunos”.

Foram colhidas as declarações de mais de 10 vítimas da dentista, bem como depoimentos de ex-funcionários do instituo. Todos confirmaram a realização das cirurgias proibidas em local inadequado (fora do ambiente hospitalar), gerando grave risco à integridade física dos consumidores. As pessoas ouvidas também relataram que a dentista não aceitava qualquer crítica ao seu trabalho, tratando os pacientes com descaso.