Uma prática silenciosa dentro do sistema bancário tem preocupado especialistas e pode estar atingindo milhares de correntistas sem que eles percebam. Conhecida como “raspa-conta”, a irregularidade envolve a cobrança de tarifas, seguros e serviços não autorizados, que vão sendo debitados aos poucos, mês após mês.
Diferente de golpes digitais mais conhecidos, como clonagem de cartão ou fraudes por mensagens, o raspa-conta acontece de forma interna, o que dificulta a identificação imediata. Em muitos casos, os valores são baixos e acabam passando despercebidos por longos períodos.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Defensores do Direito Bancário (ABRADEB), Raimundo Nonato, o problema costuma ser descoberto tarde. “Muitos consumidores só percebem quando analisam extratos antigos ou ao encerrar a conta, quando já houve prejuízo acumulado por meses ou até anos”, afirma.
Quais são as cobranças mais comuns
Entre as irregularidades mais frequentes estão:
- Tarifas de manutenção em contas que deveriam ser gratuitas
- Renovação automática de pacotes de serviços não contratados
- Cobrança de seguros sem autorização
- Parcelamentos de dívidas já quitadas
- Anuidades de cartões considerados “gratuitos”
Como os valores geralmente são pequenos, o impacto só se torna evidente com o passar do tempo.
Direitos do consumidor
A prática é considerada ilegal por ferir o Código de Defesa do Consumidor, principalmente no que diz respeito à transparência e à necessidade de consentimento para cobranças.
Nesses casos, o cliente tem direito à devolução dos valores pagos indevidamente e, em algumas situações, pode receber o valor em dobro.
Como identificar e evitar prejuízos
A principal recomendação é manter atenção constante à movimentação da conta. Algumas medidas ajudam a evitar perdas:
- Conferir o extrato bancário regularmente
- Ficar atento a débitos recorrentes, mesmo que pequenos
- Evitar contratar serviços financeiros sem confirmação formal
- Utilizar o sistema Registrato, do Banco Central, para verificar vínculos financeiros no CPF
O que fazer ao identificar descontos indevidos
Ao perceber qualquer cobrança suspeita, o consumidor deve agir rapidamente:
- Registrar reclamação no banco e guardar o protocolo
- Acionar o Banco Central pela plataforma consumidor.gov.br
- Procurar o Procon
- Recorrer à Justiça, se necessário
De acordo com Raimundo Nonato, há respaldo legal para reaver os valores. “Além do ressarcimento, muitas decisões judiciais reconhecem o direito à indenização por danos morais”, explica.
Atenção redobrada
O raspa-conta não costuma aparecer de forma evidente — e justamente por isso pode se prolongar por anos. A recomendação dos especialistas é simples: acompanhar de perto cada movimentação financeira é essencial para evitar prejuízos silenciosos.
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