Temas como finanças públicas, pleno emprego, poder de compra, estabilidade fazem parte do imaginário dos eleitores de Goiás. Mais do que isso: aparecem em terceiro lugar quando esse público é questionado sobre os assuntos que mais causam preocupação, atrás apenas de saúde e segurança pública. É o que revela pesquisa Genial Quaest/TV Anhanguera, divulgada em 28 de agosto. Economia é citada por 9% dos entrevistados
Nesta edição, a Tribuna do Planalto dá continuidade à série iniciada em agosto, com análises sobre as promessas dos candidatos para as áreas apontadas como prioridade pela população. Saúde foi o primeiro tema mais citado como preocupação pelos goianos, seguindo de segurança pública, conforme aferiu pesquisa Genial Quaest/TV Anhanguera. Ambos foram abordados neste espaço. O economista e professor universitário Aurélio Troncoso, coordenador dos cursos de graduação de economia da UniAlfa e professor do IPOG e da UniAnhanguera, analisou as propostas dos candidatos.
A análise dos programas dos candidatos feita por Aurélio Troncoso mostra diferenças importantes entre as propostas. Enquanto algumas medidas são consideradas viáveis e alinhadas às atribuições do Estado, outras são avaliadas como genéricas ou dependentes de decisões que cabem à União.
Daniel Vilela (MDB) tem propostas consideradas mais factíveis. Para Troncoso, as propostas apresentadas têm viabilidade econômica e algumas já estão em implantação. É o caso do InvestGO, criado para atrair investimentos, expandir empresas e prospectar negócios nacionais e estrangeiros. A iniciativa também prevê uma plataforma para centralizar informações sobre incentivos fiscais, reduzindo a burocracia.
Na mineração, o professor considera viável a busca por investimentos para o processamento de minérios, mas ressalta que o marco regulatório é federal. Como os recursos minerais pertencem à União, mudanças no setor dependem de órgãos federais e do Congresso. “Para Goiás, o caminho é criar condições para que empresas que já possuem concessões avancem na exploração e agreguem valor à produção”, diz.
Troncoso também avalia positivamente o Pequi Bank, que poderá facilitar o acesso de micro e pequenos empreendedores a crédito subsidiado e serviços financeiros digitais, e o Sila Goiás, voltado à liquidez do agronegócio. Na avaliação do economista, o conjunto de propostas de Vilela apresenta viabilidade e está em fase de implantação.
As propostas de Danilo Pinheiro (PCO), por outro lado, enfrentam limitações de competência. A redução da jornada de trabalho, a proibição de demissões, a revogação da reforma trabalhista e a cobrança de dívidas previdenciárias e de impostos de grandes empresas dependem de decisões federais.
No programa de Luciana Amorim (UP), o economista vê possibilidade de adoção de frentes emergenciais de trabalho e estímulo à economia local e solidária, mas considera de caráter social parte importante das propostas. A reestatização da Celg e a interrupção da privatização da Saneago são analisadas sem uma conclusão de que a gestão estatal seja necessariamente superior. Já a defesa da agricultura familiar é considerada mais relacionada à política federal.
Economia verde
Luis Cesar Bueno (PT) apresenta propostas que, na avaliação de Troncoso, têm potencial especialmente nas áreas de turismo e economia verde. O professor destaca o potencial de Goiás em turismo de águas termais e em áreas de preservação, como Chapada dos Veadeiros, Terra Ronca e Parque Nacional das Emas. A economia verde também é vista como oportunidade para gerar empregos e agregar valor a cadeias locais.
Já a proposta Goiás Multimodal, que inclui água, esgoto, drenagem e reurbanização, é considerada mais ligada às áreas social e sanitária do que propriamente à economia.
Marconi Perillo (PSDB) apresenta, segundo o professor, propostas economicamente pertinentes, mas algumas precisam de maior detalhamento. A ideia de atrair investimentos e apoiar empresas é considerada ampla diante de uma mudança decisiva no cenário: a reforma tributária deverá reduzir, a partir de 2032, o peso dos incentivos fiscais que historicamente ajudaram Goiás a atrair indústrias. Para Troncoso, o programa deveria indicar quais vantagens o Estado oferecerá para continuar competitivo.
O economista considera consistente, porém, a proposta de ampliar a industrialização e agregar valor ao que Goiás produz, especialmente no agronegócio e na mineração. A melhoria da logística e da conectividade digital também é apontada como estratégica para aproveitar a localização central de Goiás.
Wilder Morais (PL) tem propostas semelhantes às de Perillo e Vilela na defesa da industrialização e do processamento de matérias-primas. Troncoso, contudo, faz um alerta para o setor farmacêutico: com o fim dos incentivos fiscais e as mudanças tributárias, Goiás poderá perder competitividade para regiões mais populosas.
A busca por tecnologia para processamento de terras raras e minerais críticos é considerada semelhante à proposta de Vilela. Já as medidas de eficiência energética e uso de combustíveis renováveis são vistas como positivas por reduzir custos industriais, diminuir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o acesso a mercados com exigências ambientais.













