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Ex-ministros do STF pedem a Fachin apuração pública da crise que classificam como a mais aguda da história

Em carta, 13 ex-ministros do STF pedem a Fachin que convoque sessão pública para apurar a crise entre Moraes e Mendonça


Fábio Prado Por Fábio Prado em 08/09/2026 - 15:32

Fachin tira Moraes da condução de inquérito e suspende decisões sobre comando da PF
Ex-ministros do STF pedem a Fachin apuração pública da crise que classificam como a mais aguda da história - Foto: G. Dettmar/ CNJ

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal enviaram uma carta ao presidente da Corte, Edson Fachin, na qual manifestam apoio à sua condução e cobram a convocação urgente de uma sessão pública para uma rigorosa apuração dos fatos. O documento foi divulgado nesta terça-feira (8), em meio à escalada da tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Os ex-ministros definem o momento atual como a “mais aguda crise” na história do Supremo. “Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas”, diz a carta.

O documento, que não cita diretamente os ministros Moraes e Mendonça, é assinado por Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. O ex-presidente Luís Roberto Barroso, que se aposentou recentemente, não assinou a carta. Ele afirmou que louva a iniciativa, mas não se sente confortável em assiná-la, uma vez que pode contribuir internamente e mantém relações pessoais com todos os ministros.

Entendimento divergente de Marco Aurélio

Um 14º ex-ministro, Marco Aurélio Mello, manifestou-se sobre o caso, mas defendeu uma solução diferente. Em entrevista, ele classificou o episódio como “impensável” e afirmou que o Supremo “não é órgão consultivo, muito menos órgão consultivo da bandidagem”. No entanto, sua defesa não é por uma sessão pública, mas por uma reunião de conselho, conforme previsto no regimento interno, que não tem transmissão ao vivo nem público presente. “E aí, evidentemente, se tiver que ser lavada roupa suja, que seja lavada. Principalmente em casa”, completou.

Contexto da crise

A crise teve uma nova escalada na última semana, quando o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revela mais de 50 mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Os diálogos mostram que Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

Dois dias depois, Moraes pediu a Fachin que investigue Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, com base em outro relatório da PF.

Providências de Fachin

Logo após a divulgação do relatório, Fachin afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional” e prometeu anunciar medidas. A apuração contra Mendonça foi retirada do inquérito das fake news e colocada em um procedimento separado, sob relatoria da Presidência. Fachin deu um prazo de cinco dias para que Moraes e Mendonça apresentem explicações. A carta dos ex-ministros foi encaminhada a três dias do fim desse prazo.

Caberá a Fachin decidir se levará o caso ao plenário em sessão aberta ou fechada, ou se convocará uma reunião reservada.

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