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Fake news: vivemos em dois mundos, um real e um paralelo


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 02/06/2024 - 07:32

Por: Andréia Bahia

O ministro do Supremo Alexandre de Moraes disse recentemente que éramos felizes antes do advento das redes sociais e não sabíamos. A profusão de informações falsas que circularam nos últimos dias relacionadas à tragédia do Rio Grande do Sul confirma isso e é uma amostra do que viveremos na próxima eleição. A imprensa se ocupou tanto em noticiar os acontecimentos como em desmentir fatos inventados com o intuito de capitalizar politicamente sobre o sofrimento das vítimas.

Está claro que as instituições não são rápidas o bastante para agir nos casos das chamadas fake news. E como estamos vendo, as pessoas que produzem mentiras para circular nas redes sociais têm método: geram a mensagem falsa, difundem-na em uma rede que se ocupa em multiplicar; depois, quando acionados, apagam a postagem. Mas o estrago já está feito. Os propagadores de fake news vêm aprimorando a técnica nas últimas eleições e, mesmo quando impedidos, conseguem burlar os impedimentos. 

Países menos sujeitos a fake news, em que a população verifica as mensagens recebidas, são aqueles em que a imprensa manteve a sua influência, a despeito do surgimento das redes sociais. O Brasil está entre os mais sujeitos às fake news.

Isso nos remete a um outro movimento que se deu simultaneamente às redes sociais, um ataque sistemático à imprensa patrocinado por partidos e políticos, tanto da direita como da esquerda, desacreditando jornalistas e veículos tradicionais.

Vivemos uma guerra de narrativas e me parece que essas duas realidades, a real e a paralela, vão coexistir, disputando espaços e pessoas. As eleições, chance de mudar os rumos do país, são também os momentos em que esses instrumentos são mais usados, deturpando o processo.   

Até quando? Não se vê nada no horizonte que aponte uma saída. Acredito que estaremos fadados a viver em dois mundos, sendo um fake.