O Cine Arandu (@cinearandu), mostra de cinema de curtas-metragens brasileiros de cunho cultural e ambiental, movimenta o Cine Teatro de Pirenópolis (Theatro Sebastião Pompeo de Pina) nos dias 9 e 10 de abril. De um total de 162 filmes inscritos de vários estados, 26 filmes foram selecionados e serão exibidos durante a programação aberta ao público e gratuita, em sua grande maioria animações infantis.
A curadoria dos filmes foi feita em conjunto com jovens integrantes do projeto Arandu Ecopedagogia e o público-alvo são estudantes da rede pública de Pirenópolis. Além das sessões de cinema, a programação contará com apresentações culturais, como a do grupo de percussão infantojuvenil Pequi Sonoro ( dia 10, às 15h30) , e atividades lúdicas na área externa do teatro.
O filme Dandara, curta-metragem produzido em Goiás, é um dos destaques da mostra, bem como Nossos Sonhos pela Janela. Outro curta-metragem esperado é Jardim Mágico, que realça nesse espaço da infância possibilidades de como as novas gerações podem trabalhar suas relações e caminhos de uma forma mais promissora.
Voltado à promoção de sessões de cinema e atividades de formação audiovisual para crianças e adolescentes entre 5 e 16 anos, o Cine Arandu teve início em novembro de 2021, em Pirenópolis (GO), idealizado pela bióloga Aline Lino e a roteirista Lidiana Reis.
Desde então, o projeto tem articulado audiovisual, cultura, educação e consciência socioambiental, promovendo experiências que estimulam o pensamento crítico e a criatividade. Além das sessões temáticas e ciclos formativos para professores, há produção de conteúdos autorais, como o curta-metragem Pirenópolis, a guardiã das águas (2023), desenvolvido pelas próprias crianças.
Com apoio das Secretarias de Cultura e Retomada do Governo de Goiás, do Instituto Bororó, da Sol a Pino Filmes, da The Best Açaí e do Sesc Goiás, este projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB – Pirenópolis), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (MinC), operacionalizado pela Prefeitura de Pirenópolis .
Cinema, infância e sustentabilidade
A mostra Cine Arandu é a extensão para a comunidade pirenopolina do que já era cotidiano no Arandu Ecopedagogia, projeto de educação não formal fundado em 2021 pela bióloga Aline Lino. Parece sonho, no Arandu crianças e adolescentes passam suas tardes longe das telas do computador, em atividades comuns num passado recente. A casa de estilo rústico no Alto do Carmo é um espaço cultural que conta com biblioteca, quintal com árvores frutíferas, parquinho de areia e ambiente naturalizado.
“Essa turminha vem pro Arandu, porque descobriram prazeres esquecidos das gerações atuais como brincar no quintal, aprender de forma lúdica e jogos com os amigos”, explica Aline Lino.
Das sessões de cinema habituais na Arandu, com direito à interação no telão da sala, pipoca e até jornalzinho feito pelos próprios jovens, o grupo enxergou novas possibilidades também para suas vidas, como repensar hábitos arraigados. Para Aline Lino, o aprendizado desses jovens deve resultar em novos caminhos para encarar o futuro de forma mais saudável.
“Além da mudança de hábitos nocivos, como excesso de tempo gasto em redes sociais, acreditamos no desenvolvimento humano e no resgate de novas formas de entretenimento como o gosto pelo ato de “ir ao cinema”, a interação com o outro, o investimento no autoconhecimento e em relacionamentos fora do ambiente virtual, com foco na alteridade e na capacidade em se colocar no lugar do outro”. – Aline Lino

Programação Cine Arandu
O Cine Arandu terá exibições de curta-metragens com curadoria feita pelas produtoras do projeto, Aline Lino, Lidiana Reis, Uyara Queiroz (Instituto Bororó) e crianças participantes, que também integram o evento como jurados e monitores. Aberto ao público, o festival não tem necessidade de inscrições prévias e tem como público-alvo crianças e adolescentes das escolas públicas de Pirenópolis.
Num mundo cada vez mais marcado pelo uso intenso de novas tecnologias e redes sociais, o que impacta diretamente a saúde mental, o Cine Arandu chega como movimento de respiro e de escuta para crianças e adolescentes, um território de pausa e reconexão, tanto consigo mesmo como com a natureza e as expressões culturais do país.
Uyara Queiroz exemplifica o filme O Bicho que eu tinha medo, bastante esperado no Cine Arandu é um dos destaques entre as animações que serão exibidas na programação. Segundo ela, a produção é uma fábula sensível sobre identidade, afeto e pertencimento. A produção foi selecionada em oito festivais da América Latina, como o Festcine Kids Cartagena e o Festival de Cinema da Infância e Adolescência de Bogotá.
Lidiane Reis explica a importância da experiência coletiva do cinema: “Assistir a filmes em grupo, em um ambiente acolhedor e sem as distrações constantes das telas individuais, permite que crianças e adolescentes desaceleram e se envolvam de forma mais profunda com as narrativas”.
Ela adianta que os curtas selecionados, ao abordarem temas ambientais e culturais, despertam sensibilidade, empatia e senso crítico, contribuindo para uma formação mais consciente e conectada com o mundo real, explorando também novas possibilidades de uso das tecnologias.
“Com os filmes e as oficinas formativas, crianças e adolescentes têm oportunidade de se perceber como parte de um mundo diverso, estimulando uma visão mais plural sobre si mesmo, sua realidade e o seu futuro, e até o desenvolvimento emocional”. – Lidiana Reis
Além das atividades que ocorrem durante a mostra Cine Arandu, a Arandu Ecopedagogia tem um calendário gratuito aberto durante todo os meses do ano. Podem participar crianças de 4 a 16 anos. Mais informações em @arandu_ecopedagogia.














