Setembro deve manter Goiás sob forte calor, baixa umidade do ar e elevado risco de queimadas, apesar da possibilidade de pancadas de chuva isoladas em algumas regiões. O prognóstico climático do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (CIMEHGO), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) indica que o mês será marcado pela transição entre a estação seca e o início do período chuvoso.
A previsão é de que as chuvas ocorram de forma irregular, pontual e por períodos curtos. Os modelos indicam uma anomalia positiva de precipitação, com volumes entre 10 mm e 50 mm acima da média histórica em algumas áreas, principalmente no Sul, Sudoeste e Centro de Goiás.
Mesmo assim, a chuva não deve representar uma mudança definitiva no padrão de estiagem. A atuação de massas de ar seco continuará limitando a formação de nuvens e mantendo temperaturas elevadas em grande parte do território goiano.
Calor pode passar dos 40°C no Norte e Nordeste de Goiás
As regiões Norte e Nordeste de Goiás aparecem entre as áreas com maior potencial para temperaturas extremas durante setembro. Municípios como Porangatu, São Miguel do Araguaia, Minaçu e Campos Belos poderão registrar máximas frequentemente entre 38°C e 42°C.
Na Região Central e na área metropolitana de Goiânia, a previsão também é de períodos prolongados de calor, com temperaturas máximas entre 35°C e 38°C.
O cenário fica ainda mais preocupante durante as horas mais quentes do dia, quando a umidade relativa do ar poderá ficar abaixo de 15%. Índices tão baixos aumentam o risco de desidratação e agravam problemas respiratórios.
A combinação de calor intenso e ar seco também favorece a ocorrência e a propagação de incêndios florestais e queimadas, especialmente porque a vegetação do Cerrado chega a setembro em situação de elevado estresse hídrico.
Chuvas serão irregulares e não significam fim da seca
Historicamente, setembro ainda apresenta volumes relativamente baixos de chuva em Goiás. A média estadual para o mês é de aproximadamente 40,3 milímetros, mas há grande diferença entre as regiões.
No extremo Norte e Nordeste, os acumulados climatológicos ficam próximos de 13,2 milímetros, enquanto no Sul e Sudoeste podem chegar a 55,5 milímetros.
Para setembro de 2026, a expectativa é de episódios de chuva associados principalmente à passagem ocasional de frentes frias pelo Centro-Sul do país. Quando esses sistemas conseguirem romper o bloqueio atmosférico, poderão provocar pancadas em Goiás.
A previsão, porém, é de precipitações isoladas e mal distribuídas, o que significa que uma chuva registrada em determinado município não necessariamente representará a regularização das condições de umidade em toda a região.
Reservatórios e rios continuam em alerta
O período prolongado de pouca chuva, associado às temperaturas elevadas e ao aumento da evapotranspiração, mantém a pressão sobre os recursos hídricos de Goiás.
Segundo o prognóstico, diversas bacias hidrográficas apresentam redução nas vazões dos rios e nos níveis dos reservatórios. O cenário exige atenção ao uso da água, principalmente em atividades de captação, irrigação e abastecimento.
A situação pode ser agravada caso os episódios de chuva previstos para setembro ocorram de maneira muito localizada.
Ar seco exige cuidados com a saúde
A baixa umidade e o calor intenso exigem atenção especial da população. Crianças, idosos e pessoas que trabalham ou praticam atividades físicas expostas ao sol estão entre os grupos que precisam de cuidados redobrados.
A recomendação é reforçar a hidratação e evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes.
O ar seco também facilita a suspensão de poeira e partículas na atmosfera, o que pode agravar problemas respiratórios. A situação tende a ficar ainda mais crítica em áreas atingidas por fumaça e fuligem de queimadas.
O monitoramento da qualidade do ar é realizado nos 246 municípios goianos, por meio de prognósticos específicos.
Produtor deve ter cautela com o plantio da safra 2026/2027
O comportamento do clima em setembro também será decisivo para o agronegócio goiano, já que o mês é estratégico para o planejamento da safra de verão 2026/2027.
No Sul e Sudoeste, incluindo municípios como Rio Verde, Jataí, Acreúna e Mineiros, a previsão indica condições de chuva um pouco mais favoráveis. Ainda assim, o produtor deve evitar decisões precipitadas.
Um dos riscos apontados é o chamado “falso reabastecimento” da umidade do solo: uma chuva isolada pode melhorar temporariamente as condições de plantio, mas ser seguida por vários dias de calor intenso e alta evapotranspiração.
Nesse cenário, a umidade pode desaparecer rapidamente, prejudicando a germinação e a emergência das plantas e provocando perda de estande, situação conhecida no campo como “plantio no pó”.
Norte e Leste devem ter maior déficit hídrico
Nas regiões Norte e Leste, incluindo áreas de Cristalina, Luziânia e Porangatu, o déficit hídrico deve continuar elevado.
A orientação é que o plantio de culturas de sequeiro aguarde uma regularização efetiva das chuvas. A expectativa apresentada no prognóstico é de maior consistência hídrica somente a partir do fim de outubro.
Pastagens podem demorar a se recuperar
A pecuária também deve enfrentar dificuldades durante setembro. O calor intenso pode aumentar o estresse térmico em bovinos de corte e leite, enquanto a baixa umidade limita a recuperação das pastagens.
A rebrota tende a ocorrer de maneira lenta até que a umidade do solo seja restabelecida. Por isso, produtores devem manter atenção ao fornecimento de água e suplementação nutricional dos animais.
Setembro exige atenção redobrada em Goiás
O prognóstico do CIMEHGO aponta que setembro será um mês de transição, mas não representa necessariamente o fim do período seco em Goiás.
Mesmo com a possibilidade de chuvas acima da média em algumas áreas, a irregularidade dos volumes e a persistência do calor podem manter rios, reservatórios, solo e vegetação sob pressão.
Para a população urbana, o cenário reforça a necessidade de economizar água, manter a hidratação e evitar queimadas. No campo, a principal recomendação é avaliar cuidadosamente a umidade do solo antes de iniciar o plantio da nova safra.
Fonte: Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (CIMEHGO)/Semad.
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