O primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol em Goiás foi notificado pelo Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica). A paciente é uma mulher de 25 anos, de Itapaci, que consumiu álcool em uma cachoeira em Guarinos e está internada no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu. Ela permanece na UTI sob cuidados de equipe multidisciplinar.
O quadro clínico da paciente evoluiu rapidamente, com dificuldade respiratória e redução do nível de consciência, o que levou à necessidade de intubação. A mulher está apresentando acidose metabólica grave, insuficiência renal aguda e necessidade de hemodiálise. Mesmo com o uso de bicarbonato de sódio, seu organismo não respondeu de forma satisfatória ao tratamento, o que reforça a gravidade do caso.
Segundo informações médicas, além de consumir bebida alcoólica em uma cachoeira, ela também ingeriu bebida em casa, embora ainda não se saiba o tipo exato. O pai e o irmão, que estavam com ela no momento do consumo, não apresentaram sintomas.
O caso ainda é considerado suspeito e segue em investigação, já que exames estão em andamento para confirmar ou descartar a contaminação por metanol.
Operação estadual
Diante do cenário nacional, o governo de Goiás iniciou uma operação conjunta entre forças policiais e a Secretaria de Estado da Saúde para fiscalizar distribuidoras de bebidas alcoólicas em todo o território goiano. A ação foi determinada pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que afirmou a necessidade de vistoria preventiva.
De acordo com o Ministério da Saúde, até esta quinta-feira (2) o Brasil registrou 43 notificações de intoxicação por metanol: 39 em São Paulo, incluindo uma morte, e quatro em Pernambuco. Em São Paulo, dez casos já foram confirmados e 29 seguem em investigação; em Pernambuco, todos permanecem sob análise. Outras sete mortes também estão em investigação, cinco em São Paulo e duas em Pernambuco.
O ministério reforça que o metanol é um álcool usado em solventes e outros produtos químicos, altamente perigoso quando ingerido, podendo causar danos ao fígado, cérebro e nervo óptico, com risco de cegueira, coma e morte.
Antídotos
O Ministério da Saúde também anunciou a compra emergencial de 150 mil ampolas de etanol farmacêutico, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, para reforçar o estoque dos estados e municípios diante do aumento de casos suspeitos no país. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou ainda que a Anvisa abriu chamada pública internacional para identificar fornecedores de fomepizol, medicamento específico para esses casos, atualmente indisponível no Brasil. A pasta também oficializou pedido à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para doação imediata de 100 tratamentos e avalia a aquisição de outras 1 mil unidades por meio do Fundo Estratégico da entidade.
Governo vai comprar 150 mil antídotos contra intoxicação por metanol















