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Homo digitalis

Por Redação Tribuna do Planalto - 24/03/2022

Os rouxinóis pós-cartesianos não trinam porque querem expulsar os outros do seu espaço; eles tweetam porque querem chamar a atenção. Tal frase nos leva a refletir que, o homem moderno perde o seu protagonismo com o processo que vivemos de imersão na vida paralela digital, que é conhecida por metaverso. Ao invés de resolver os problemas com o relacionamento interpessoal, o homem prefere digitar o desabafo num aplicativo dominante por algoritmos que elencam as suas preferências. Assim, a sociedade digital dança conforme a música dos algoritmos, de modo que refletimos se o sistema não deve ser revisto: O e-book foi feito para que eu o leia e não para que eu seja lido. O ano é 2020, “boom” uma pandemia eclode e aqui no nosso país uma luta começa a ser travada, a batalha das opiniões: se determinado medicamento combate ou não o COVID-19, se as vacinas são confiáveis ou não, se o aplicativo Zoom é confiável ou não, se a Terra é redonda ou plana; Enfim, quando um assunto polêmico entra em cena, imediatamente conflitos de opiniões suscitam, principalmente em algumas plataformas, cito o WhatsApp como campeão da pancadaria, justamente por se tratar de uma plataforma de mensagens particulares e que permite que as pessoas tenham conversas mais honestas, até mesmo a organização das mensagens mantém os usuários com foco na discussão do momento. No caso de duas pessoas, uma delas pode decidir quando responder, já que não é um encontro presencial – assim ganhe tempo para esfriar a cabeça, porém a demora na resposta pode demonstrar desrespeito ao interlocutor. Centrado em conteúdo de vídeo, o YouTube não fomenta tantas discussões, até porque os posts mais polêmicos se assemelham mais a críticas de cinema do que necessariamente agressões. O que em suma quero dizer é que, nas redes sociais as opiniões se confundem com argumentos e o contágio emocional é bem evidente, e com isso determinado post ganha cada vez mais visibilidade, principalmente no Twitter, onde uma certa discórdia vire uma briga generalizada em questão de segundos. Vale dizer que, normalmente essas discussões são movidas por afetos e não pela razão. Por mais complexo que seja, é de nossa natureza as relações pessoais, debates e brigas fazem parte do cotidiano, e é perfeitamente normal que ocorram discordâncias, porém a antítese está na proposta das redes sociais que é justamente facilitar a interação e aproximar as pessoas, ocorre que no formato atual, há o fomento na manutenção de ideias pré-concebidas que dificultam a negociação dos pontos de vistas. E nesse momento, o recurso mais importante para despertar reflexão e compreensão parece inexistente: o diálogo.

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