Os números do Ideb em Goiás revelam um quadro paradoxal: há motivos para celebrar, mas também alertas que não podem ser ignorados. Em 2023, o estado alcançou 4,8 pontos nessa etapa, a maior média da história da rede estadual e acima da meta estipulada pelo Ministério da Educação (MEC), de 4,7. Esse resultado coloca Goiás à frente de estados tradicionalmente bem colocados, como Paraná e Espírito Santo, que registraram 4,7.
O crescimento das escolas transformadas em Centros de Ensino em Período Integral (Cepis) entre 2017 e 2019 reforça essa tendência. Um estudo conjunto do Instituto Sonho Grande e do Instituto Natural aponta que, em 2019, as escolas de tempo integral alcançaram média de 5,3, enquanto as escolas regulares de meio período ficaram em 4,7 — uma diferença de 63% no desempenho. Além disso, escolas convertidas em Cepis entre 2017 e 2019 cresceram 28% no Ideb, enquanto as regulares avançaram apenas 8%.
Mas nem tudo são flores. O Ideb evidencia desigualdades históricas: estudantes de minorias raciais, em especial pretos e pardos, continuam com desempenho inferior em Matemática e Português. A pandemia da Covid-19 intensificou essas disparidades, com quedas abruptas de aprendizado entre 2020 e 2021, período em que Goiás viu seu Ideb do Ensino Médio despencar de 4,7 para 4,2. Apesar da recuperação rápida, que levou a nota a 4,8 em 2023, os números mostram que a interrupção escolar deixou sequelas que exigem políticas públicas estratégicas.
Os impactos sociais do ensino integral são claros: maior probabilidade de ingresso no Ensino Superior, salários mais altos e maior maturidade social. Porém, o acesso ainda é limitado, apenas 33,1% dos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio estão em escolas integrais, enquanto a meta é atingir 25% de toda a Educação Básica até 2024. O desafio agora é expandir sem perder a qualidade, garantindo que o modelo beneficie os estudantes mais vulneráveis.
O investimento público em Goiás é notável, mais de R$ 7,4 bilhões nos últimos cinco anos em infraestrutura, tecnologia e valorização docente. Mas o Ideb também revela que essas ações precisam ser complementadas por estratégias de combate às desigualdades regionais e sociais, que ainda refletem em aprendizado insuficiente, especialmente em Matemática.
Em síntese, Goiás vive um divisor de águas, o ensino integral mostra o caminho, mas a pandemia e as desigualdades estruturais lembram que os desafios são profundos. Os números do Ideb não são apenas indicadores, são um alerta de que qualidade e equidade precisam caminhar juntas para que a educação estadual seja referência verdadeira e duradoura.
Educação integral: um passaporte para o futuro
Estudos indicam que alunos de escolas em tempo integral apresentam desempenho superior em Língua Portuguesa e Matemática. Enquanto a média de proficiência em matemática foi 283,2 para escolas regulares em 2019, nas escolas integrais atingiu 299,9. O modelo permite maior tempo de aprendizado e acesso a atividades extracurriculares, ampliando habilidades cognitivas e socioemocionais.
Desafios da desigualdade
Apesar dos avanços gerais, persistem desigualdades significativas no desempenho escolar. Alunos pretos e pardos apresentam médias consideravelmente inferiores em Matemática, e as diferenças regionais permanecem marcantes, com áreas rurais e periferias enfrentando barreiras maiores para acesso a recursos pedagógicos, professores qualificados e infraestrutura adequada. Esses desafios evidenciam que, mesmo com políticas de expansão do ensino integral, o combate à desigualdade continua sendo um ponto crucial para a consolidação de resultados efetivos.
Histórico do Ideb e metodologia
Criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) combina a taxa de aprovação escolar com a média de proficiência dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática. O índice varia de 0 a 10 e é divulgado a cada dois anos, permitindo acompanhar a evolução da educação brasileira. O Ideb estabelece metas nacionais para cada etapa: 6,0 nos anos iniciais, 5,5 nos anos finais do Ensino Fundamental e 5,2 no Ensino Médio, funcionando como um termômetro de aprendizado.

Um novo paradigma educacional desafia o modelo parcial em Goiânia
Nos últimos anos, Goiânia vem se destacando no cenário educacional brasileiro, acompanhando o bom desempenho do estado de Goiás. Em 2023, os anos iniciais do Ensino Fundamental alcançaram 6,5 pontos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), garantindo à capital a primeira posição entre as capitais. Nos anos finais, a cidade conquistou a terceira colocação, refletindo uma evolução consistente, mesmo diante dos impactos da pandemia de Covid-19.
O destaque da capital se concentra nas escolas de tempo integral, cujos resultados superam de forma consistente os das unidades de tempo parcial. Alunos de escolas integrais registraram médias de 300,9 em Língua Portuguesa e 299,9 em Matemática, contra 285 e 283,2 nas escolas regulares. A diferença evidencia que a ampliação da jornada escolar proporciona mais tempo para reforço pedagógico, aprofundamento de conteúdos e atividades socioeducativas, promovendo competências cognitivas e socioemocionais essenciais.
A expansão da rede de ensino integral tem sido estratégica. Em 2023, Goiânia contava com 45 escolas de tempo integral, refletindo políticas públicas voltadas para infraestrutura, tecnologia educacional e capacitação docente. Entre 2021 e 2023, os anos iniciais saltaram da 4ª para a 1ª posição e os anos finais do Ensino Fundamental subiram da 8ª para a 3ª. Esse crescimento demonstra que a ampliação do tempo de aprendizagem, aliada a acompanhamento pedagógico sistemático, impacta diretamente na qualidade do ensino.
Além do desempenho acadêmico, o ensino integral apresenta impactos sociais significativos. Pesquisas apontam que estudantes de escolas integrais têm 17 pontos percentuais a mais de chance de ingressar no Ensino Superior, salários até 18% maiores e maior maturidade social, incluindo planejamento familiar mais consciente. Entre as mulheres, o modelo contribui para maior inserção no mercado de trabalho, reforçando o papel do tempo integral como ferramenta de equidade e mobilidade social.
Apesar dos avanços, os desafios persistem. O acesso ao ensino integral ainda não é universal, e há desigualdades entre regiões centrais e periféricas. Especialistas alertam que não basta aumentar a carga horária: é preciso investir em professores, infraestrutura e projetos pedagógicos de qualidade para que o tempo extra se traduza em aprendizado real.














