O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, apresentou nesta quarta-feira (17) balanço do desempenho do agronegócio goiano com números positivos de produção, mas adotou um tom crítico ao avaliar o cenário econômico nacional, especialmente em relação às políticas do governo federal.
Segundo Schreiner, o Brasil caminha para uma super safra estimada em 353 milhões de toneladas, impulsionada diretamente pelo desempenho de Goiás. O Estado deve colher cerca de 27 milhões de toneladas no atual ciclo, crescimento de aproximadamente 20% em relação à safra anterior. Para o dirigente, o resultado reforça o papel estratégico do agro no abastecimento interno, no controle dos preços dos alimentos e na balança comercial brasileira.
Apesar do crescimento da produção, José Mário afirmou que o cenário preocupa quando o foco se volta à renda do produtor rural. De acordo com ele, a queda nos preços de commodities como milho e soja tem reduzido significativamente a margem de remuneração no campo, mesmo diante do aumento da produtividade.
O presidente da Faeg também chamou atenção para o endividamento do setor. Embora a inadimplência efetiva ainda esteja abaixo de 1%, o volume de dívidas renegociadas no agronegócio goiano já alcança cerca de 11%, com mais de 4 milhões de contratos renegociados e empurrados para os próximos anos. Para ele, o dado revela um alerta sobre a sustentabilidade financeira do produtor.
Na avaliação do presidente da Faeg, esse cenário é reflexo direto da política econômica adotada pelo governo Lula, que, segundo ele, carece de responsabilidade fiscal. Schreiner criticou o patamar da taxa Selic, atualmente em 15%, somada aos juros reais que podem se aproximar de 20%, o que encarece o crédito rural e compromete investimentos no campo.
“O agro entrega safra recorde, ajuda a controlar a inflação, fortalece as exportações e sustenta a balança comercial. Mas, do outro lado, o produtor rural brasileiro e goiano tem pouco a comemorar, diante da queda de renda, do endividamento e do custo do dinheiro”, resumiu.















