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Kajuru aposta em tratamento com ‘droga da balada’ para vencer depressão severa

Senador revela uso de tratamento inovador com medicamento que também é conhecido como “droga da balada”


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 29/07/2025 - 11:09

Kajuru anuncia 'tratamento revolucionário' para depressão, insônia e fraqueza muscular (Foto: Reprodução)
"Estou fazendo um tratamento revolucionário", disse Kajuru nas redes sociais (Foto: Reprodução / Instagram)

O senador goiano Jorge Kajuru (PSB-) anunciou nesta segunda-feira (28) que iniciou um tratamento psiquiátrico com quetamina, substância conhecida tanto pelo uso médico quanto pelo consumo recreativo em baladas de música eletrônica, onde é apelidada de “key”. O parlamentar revelou estar enfrentando um quadro severo de depressão, insônia, ansiedade e fraqueza muscular, e que o novo protocolo tem sido conduzido por uma especialista em Brasília.

A quetamina, originalmente desenvolvida como anestésico na década de 1960, passou a ser estudada e utilizada na última década como tratamento para depressão resistente, especialmente em casos que não respondem a antidepressivos convencionais.

Em 2019, o FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, autorizou seu uso clínico em psiquiatria, e desde então o medicamento também passou a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, em protocolos específicos e sob supervisão médica rigorosa.

“Quem está me curando é a psiquiatra Carla Gaiger, em Brasília”, escreveu Kajuru em uma postagem nas redes sociais, ao lado de um vídeo em que fala sobre os sintomas e a decisão de buscar o tratamento.

Reputação do Key

Apesar dos avanços científicos e dos resultados positivos em centros de referência, a quetamina ainda carrega uma reputação ambígua. Fora do ambiente hospitalar, a droga é usada de forma ilegal por jovens em festas eletrônicas, por causar efeitos dissociativos, como sensação de desligamento do corpo e da realidade.

O uso recreativo, sem controle, pode levar à dependência e apresentar sérios riscos à saúde. Por isso, seu uso clínico é limitado a ambientes controlados, com infusões intravenosas ou aplicações intranasais feitas sob monitoramento.

Recentemente, o debate sobre a quetamina ganhou repercussão nacional após a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, em Manaus (AM). A artista faleceu em circunstâncias associadas a uma possível overdose da substância, utilizada de forma recreativa em festas.

A decisão do senador, figura pública com histórico de transparência em temas de saúde pessoal, reacende o debate sobre os limites e potenciais do uso terapêutico da substância. Clínicas especializadas têm relatado bons resultados com a quetamina em pacientes com ideação suicida, dores crônicas e transtornos de humor refratários.

Kajuru não detalhou o tempo de tratamento nem os efeitos sentidos até agora, mas afirmou estar otimista. A exposição pública do caso pode contribuir para reduzir o estigma em torno das doenças mentais e ampliar o debate sobre alternativas para quadros graves de depressão.

Especialistas alertam que o uso da substância deve sempre seguir protocolos médicos rigorosos e depende de acompanhamento adequado. “A quetamina pode ser uma aliada poderosa, mas não é milagre”, explicou a psiquiatra Valéria Pereira Silva, do ambulatório de infusão de cetamina do Hospital Universitário da UFSC, à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.

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