A disputa pelo Governo de Goiás entra em uma nova fase com o início oficial da campanha eleitoral. Candidato do PL, o senador Wilder Morais afirma que chega ao período eleitoral com uma chapa estruturada e alinhada ao bolsonarismo, tendo Ana Paula Rezende como candidata a vice e Gustavo Gayer e Oséias Varão como nomes do partido para o Senado. Em entrevista à Tribuna do Planalto, Wilder apresenta as principais bandeiras que pretende levar aos 246 municípios goianos. Entre as prioridades, cita mudanças na saúde, especialmente na regulação e na redução da fila de cirurgias eletivas; ampliação e descentralização do efetivo policial; investimentos em infraestrutura; e políticas para estimular a industrialização do agronegócio. O senador também fala sobre a relação com Gustavo Gayer, a estratégia do PL para o Senado, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e a disputa pelo eleitorado de direita em Goiás. Wilder rejeita a ideia de fazer uma campanha baseada na comparação com outras gestões e afirma que pretende concentrar o discurso nos problemas apontados pela população. Ao comentar a força do bolsonarismo diante do chamado caiadismo, o candidato diz que são grupos independentes e aposta no perfil conservador de Goiás para sustentar sua candidatura. “Meu grupo é o do bolsonarismo”, afirma.
TRIBUNA DO PLANALTO – Candidato, quais são os diagnósticos iniciais que o senhor já fez sobre a campanha, que começa oficialmente no próximo domingo, e o principal mote que vai trabalhar?
WILDER MORAIS – Nós estamos terminando nosso plano de governo e primeiro nós estamos tentando saber como vamos receber o governo. Nós estamos atrás de números e nos preparando para levar nosso nome aos 246 municípios, estamos animados. Temos hoje uma das chapas mais relevantes, tanto de deputados federais e estaduais e também em uma coligação com o Novo. Estamos animados, as agendas vão começar a partir de domingo agora e como esse ano foi Copa do Mundo o jogo começa a partir de domingo.
O que o eleitor vai ver de prioridade em seu plano de governo?
Nós vamos trabalhar muito a questão da saúde, que é um dos temas que a gente ouviu muito ao longo desses dias, a saúde precisa de uma atenção muito forte e nós vamos trabalhar isso. Nós estamos querendo trabalhar da maneira que o Tarcísio Freitas trabalhou em São Paulo, onde ele conseguiu criar uma tabela para ajudar a fazer uma parceria com as entidades filantrópicas, com a Santa Casa, com a iniciativa privada para ver se a gente faz a fila andar das cirurgias eletivas, que hoje está estancada, com volume muito grande. Alguns tipos de cirurgias levam até dois anos, dois anos e meio. Logicamente, um dos itens importantes também é investir muito em infraestrutura, incentivar para que a nossa economia volte a crescer sem criar nenhum tipo de imposto, aumentar nossa receita através de produtividade, apoiando quem gera a riqueza do nosso estado.
O que o senhor faria diferente do que o ex-governador Ronaldo Caiado fez para a saúde? É uma forma de fazer um contraponto com a gestão do ex-governador?
Não, não estou comparando governo com ninguém, eu estou ouvindo as pessoas e as pessoas me passaram o que precisa ser feito. Para se ter uma ideia, eu não vou discutir a segurança pública; tudo que tiver bem feito e puder melhorar eu vou melhorar muito. Eu vou melhorar as áreas que precisam melhorar. Hoje, a saúde tem esses gargalos pontuais e vamos trabalhar para resolver. Eu preciso resolver; eu sou engenheiro, eu sou prático, eu quero resolver o problema da saúde e, logicamente, nós vamos demorar um tempo, até porque nós temos que levantar tudo, as coisas que estão dando certo, que não dão certo. O processo de regulação a gente já sabe que não dá certo. Nós vamos ter que mexer nisso. A maneira que está aplicando tem feito a população, principalmente aqueles mais carentes, sofrer muito e a saúde não espera, não. Quem precisa de saúde, se esperar, morre. Vamos ter que atuar na hora que acontece a dor em cada uma das pessoas, principalmente aqueles que mais necessitam do estado de Goiás.
O senhor não vai falar sobre segurança pública? Não vai ser um mote da sua campanha?
Não, vou falar, e vou falar e muito. Mas eu quero dizer o seguinte: o policial nosso é valorizado? Em mais de 80 cidades nós não temos policiais. Nós vamos ter que fazer concurso público, uma coisa eu já ouvi também sobre o setor de segurança. Eles querem – e é um processo que nós vamos fazer, mas o número eu não vou te dar agora porque eu não falo um número não que eu não dou conta de cumprir – mas eu sei que é um número razoável e nós vamos fazer esses concursos, os treinamentos, a capacitação desses novos policiais que vão para as ruas de maneira descentralizada, por regiões, para que a gente possa atender a população e não causar também mais um transtorno para aquelas famílias dos policiais, que têm que sair da sua região, e isso gera um transtorno muito grande. Isso não pode ser feito.
O senhor é um empresário ligado à construção civil. Qual vai ser a sua principal política para a geração de emprego e renda?
Nós vamos fazer o seguinte, vamos chamar o setor do agro, que a gente sabe que é um setor pujante que ajuda muito o estado de Goiás e o Brasil inteiro. Vamos conversar com eles sobre o que o Estado pode fazer para que eles possam aumentar a sua produção. Nós queremos apoiar o produtor rural. Quando chegar a época de plantar, nós temos que estar junto; quando chegar a época da colheita, de escoar a safra, nós temos que estar junto, e mais: também incentivar a industrialização do agro aqui no estado de Goiás. Nós não podemos deixar. O estado produz muito, nós vendemos e os caminhões saem do estado de Goiás cheinhos de grãos. Sabe o que que eles levam? Eles levam os empregos dos goianos. Nós temos que fazer mais indústrias e fazer a verticalização da cadeia para ter mais mão de obra e agregar valor. O produtor rural, as cooperativas, que vai ser um dos caminhos também, ganham mais, geram mais emprego e, principalmente, aumentam os valores dos nossos salários. Para você ter ideia, nós estamos defasados muito em relação a estados que têm o mesmo perfil econômico nosso.
No início da discussão sobre candidaturas, alguns setores do PL queriam uma aliança com o atual governador Daniel Vilela (MDB), mas o senhor insistiu e construiu sua pré-candidatura com Jair Bolsonaro. Hoje o partido está realmente unido em torno do seu projeto?
Não é um projeto nosso, do estado de Goiás, é um projeto de Brasil. Nós temos um candidato a presidente da República, que é o Flávio Bolsonaro (PL). Esse candidato é um candidato de país, e nós temos aqui no estado de Goiás os dois melhores candidatos ao Senado, que são o Gustavo Gayer e o Oséias Varão. Nós temos a melhor chapa de deputados federais e também de estaduais. E o Novo, um partido que ideologicamente caminha conosco, defende as mesmas bandeiras. Todo partido grande, no início, tem essas colocações e posicionamento, mas eu posso garantir que nós estamos unidos e fortes e vamos ser vencedores. Vamos ter, se Deus quiser, dois grandes senadores do nosso partido lá em Brasília no ano que vem.
Como está sua relação com o deputado federal Gustavo Gayer?
Excelente, maravilhosa, meu candidato, meu senador. Com o Oséias também.
Vão fazer campanhas conjuntas nos 246 municípios?
No lugar em que eu não conseguir estar com eles ou eles não estarem comigo, a parte deles eu vou fazer e vice-versa. Porque nós temos muitas vezes até que dividir, cada um tem que estar num lugar ou outro, mas sempre nós vamos estar nos dois cantos, um defendendo do outro lado. Nós somos uma candidatura majoritária, então em todos os lugares que eu for, mesmo agora na entrevista, eu quero reafirmar que o Gayer é um dos melhores deputados do Brasil, vai ser um grande representante nosso lá, está nas pesquisas disparado na frente de todo mundo, e o Oséias Varão vai junto, porque o Oséias é um grande amigo dele. Nós vamos poder votar duas vezes e vamos votar no Gayer no primeiro no primeiro voto e no Oséias do segundo, e logicamente no senador Wilder Morais também.
Como o senhor está vendo esse imbróglio com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, de ter aparecido uma filiação surpresa no partido Missão e ele não ter conseguido registrar a candidatura dele ainda?
É um problema muito maior do TSE do que dele. Alguém que entrou e fez isso. Ele nunca iria, no meio do caminho, estar filiado ao Missão. Esse é mais um motivo para a gente estar muito preparado para se proteger dessas ações. E isso nos gera um desgaste, gerou um transtorno e principalmente nessa fase agora final de registrar a candidatura dele. Mas isso vai dar certo, e daqui a pouco está resolvido.
O fato de a base do governador Daniel Vilela ter quatro candidatos ao Senado favorece tanto o Gayer como o Oséias Varão?
Não, para nós não faz diferença nenhuma, nós definimos nossa candidatura muito no início. Aí é decisão deles lá. Hoje, aqui na direita, nós estamos bem definidos. Os dois candidatos nossos já estão decididos há muito tempo, como eu também. Foi logo no início do ano que defini a minha candidatura, juntamente com a nossa candidata a vice, Ana Paula Rezende. A gente não perdeu tempo.
O senhor está satisfeito com essa chapa que o senhor montou com a Ana Paula Rezende como vice?
Muito. Ana Paula Rezende, sem dúvida nenhuma, é a melhor vice de todos os que já escolheram. Olha, vou ser até um pouco pretensioso, uma das melhores do Brasil. Atuante, Ana Paula é uma empresária, é do agro, é advogada, tem grande experiência, um aprendizado criado em casa com o pai Iris Rezende, com a mãe (Íris Araujo). Ela vai ajudar muito o nosso país, vai ajudar muito o estado de Goiás. E ela tem uma coisa importante, ela gosta muito do povo; a história dela, ela nasceu na política, não está entrando não, ela já nasceu lá dentro. Ela vai ter, com certeza, uma missão grande no nosso governo, vai ajudar a cuidar das pessoas. Ela quer muito trabalhar para a gente construir muitas casas, voltar os mutirões. Ela está muito animada e eu também estou muito feliz com a decisão dela de estar caminhando conosco.
O governador Ronaldo Caiado deixou uma gestão aprovada por mais de 80% dos eleitores e o senhor tem o trunfo de ter o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em Goiás o que vai pesar mais, o caiadismo ou o bolsonarismo na direita?
São grupos independentes, o meu grupo é o do bolsonarismo e a gente foca no que nós temos. E nós temos o que? Nós temos uma chapa muito boa, nós temos um estado conservador, nós temos um estado do agro e nós vamos trabalhar. Agora começam as eleições, semana que vem, nós vamos ter proposta para o estado de Goiás em todas as áreas, e é aquela história, isso faz parte do nosso projeto para Goiás. Nós vamos querer transformar toda essa riqueza que nós temos no estado de Goiás, chegar lá na ponta, chegar nas pessoas onde hoje não está chegando. Podemos aumentar e ter melhoria de vida na questão de salário, a fila da saúde, o filho estudar e poder trabalhar próximo da mãe dele, nos municípios. Nós vamos estar falando muito do desenvolvimento aqui do estado nos próximos dias.
Daniel Vilela foi buscar um vice entre os evangélicos. O senhor vai também fazer uma campanha forte buscando esse eleitorado religioso?
A Ana Paula é evangélica, o Oséias Varão é evangélico e eu sou católico. Goiás é um estado muito conservador, muito católico e muito evangélico, e a direita defende valores, defende a família e é isso que nós queremos fazer, e a nossa campanha será em cima disso.
Senador, durante a convenção, o senhor disse que primeiro iria defender Flávio Bolsonaro e depois o Estado de Goiás. Queria que o senhor explicasse essa declaração.
Tudo que aconteceu na minha vida foi aqui em Goiás, eu devo tudo, desde a minha infância lá na minha cidade, Taquaral, filho de um lavrador, depois do taxista, minha mãe costureira; eu sempre digo, nós moramos sempre de casa alugada ou até de favor, nós nunca tivemos oportunidade de ter uma casa. Então eu virei engenheiro, fui secretário de Indústria e Comércio, fui secretário de Infraestrutura, tive a oportunidade de conhecer o estado como poucos, conversar com todas as lideranças políticas, prefeitos, vereadores, e hoje eu sou senador. Eu devo tudo ao estado de Goiás. Quando eu falo que a única pessoa que pode tirar esse PT – que hoje tem feito um mal tão grande para o nosso país – é Flávio Bolsonaro. Aí, eu vou defender e vou andar – foi isso que eu quis expressar – vamos defender porque o país precisa sair dessas trevas, desse governo que tem feito tão mal. Hoje as famílias estão todas endividadas e não tem um projeto de Brasil a não ser um projeto de política, de eleição. O que eu quero defender e vou defender sempre é que nós temos que consertar o nosso Brasil e o estado de Goiás também vai prosperar juntos.















