Skip to content

Musk e Bannon questionam vitória de Lula sem apresentar provas

Bilionário diz que “a conta não fecha” e ex-estrategista de Trump chama eleição de “roubada”; TSE confirma resultado e cálculo compartilhado ignora quase 5 milhões de votos que entraram no segundo turno


Fábio Prado Por Fábio Prado em 27/10/2026 - 16:33

Musk e Bannon questionam vitória de Lula sem apresentar provas
O bilionário estadunidense dono da rede social X e da Tesla, Elon Musk fazendo um "apito de cachorro" ou o uso de linguagem codificada ou sugestiva em mensagens políticas, nesse caso, em alusão ao nazismo | Foto: Angela Weiss/AFP

Bilionário diz que “a conta não fecha” e ex-estrategista de Trump chama eleição de “roubada”; TSE confirma resultado e cálculo compartilhado ignora quase 5 milhões de votos que entraram no segundo turno

O bilionário Elon Musk, dono da rede social X, e Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionaram nesta segunda-feira (26/10) o resultado do segundo turno das eleições brasileiras. A votação confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25/10).

Os dois publicaram mensagens nas redes sociais colocando em dúvida a legitimidade do pleito. Nenhum dos dois apresentou provas de irregularidades. A informação é confirmada por veículos como CNN Brasil, UOL, Correio Braziliense, O Liberal e Folha de S.Paulo.

O que Musk publicou

Musk compartilhou uma postagem de um aliado de Trump que comparava a votação de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) nos dois turnos. O texto afirmava que os candidatos eliminados no primeiro turno somaram 9,33 milhões de votos e que, por isso, a virada de Lula seria improvável.

“A conta não fecha”, escreveu o bilionário ao repostar o conteúdo. Musk tem 241 milhões de seguidores na plataforma, o que ampliou a circulação da contestação.

A publicação trata como improvável o crescimento da votação de Lula, que passou de 53,9 milhões para mais de 64 milhões de votos entre os dois turnos. Flávio, por sua vez, teria subido de 56,1 milhões para 59,8 milhões.

Bannon fala em “roubo”

Steve Bannon foi além. Em publicações no GETTR e em seu podcast, ele afirmou que a eleição brasileira foi “roubada”. Também chamou o resultado de “ilegítimo” e disse que a vitória de Lula representaria um “governo marxista ilegal”.

Bannon pediu que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o presidente Trump cortassem relações com o Brasil. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirmou acreditar que Flávio Bolsonaro foi o verdadeiro vencedor e que Trump deveria isolar o governo Lula até que o resultado fosse anulado.

O que o cálculo ignora

O número compartilhado por Musk desconsidera mudanças no eleitorado entre os dois turnos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, o que levou cerca de 2,83 milhões de eleitores a mais às urnas.

Além disso, a redução de votos brancos e nulos acrescentou cerca de 1,8 milhão de votos válidos à disputa. Somados, os dois fatores explicam a entrada de quase 5 milhões de votos no segundo turno, o que ajuda a entender a virada de Lula.

Lula foi eleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois foi de cerca de 4,4 milhões de votos.

Contexto da prorrogação

As contestações ocorrem após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação das 17h para as 19h, no horário de Brasília. A medida atendeu a pedidos das campanhas de Lula e de Flávio após relatos de problemas no transporte público em diversas regiões.

O TSE esclareceu que a prorrogação valeria apenas para as seções que ainda estivessem abertas. Urnas já encerradas não poderiam ser reabertas. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a medida não comprometeu o resultado. A corte confirmou a vitória de Lula.

LEIA MAIS: 

Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro

Israel é eleito o país mais impopular do mundo; imagem é manchada por guerra e mortes de civis e jornalistas

Pesquisa