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Não confunda conjuntivite com uveíte

Por Redação Tribuna do Planalto - 12/06/2022

Foto: Getty Images via BBC

A chegada de uma intensa onda de frio provoca mais uma queda brusca de temperatura em praticamente todo o Brasil neste fim de semana, inclusive no Centro-Oeste. Para os próximos dias, os termômetros indicam um aumento na condição do tempo em Goiânia e interior do Estado. No entanto, nesta época do ano, os cuidados com a saúde não podem ser deixados de lado, principalmente com os olhos, já que há um risco aumentado de doenças como conjuntivite, alergias, síndrome do olho seco, uveítes, piora do ceratocone (doença na córnea) e até o desenvolvimento de doenças mais graves, como glaucoma e catarata.

Olhos vermelhos, inchados, sensação de areia, lacrimejamento excessivo e secreção são sinais de alerta. No frio, a maior proliferação de vírus no ar faz com que as aglomerações em ambientes fechados representem um risco maior para a saúde dos olhos. “Isso favorece a transmissão da conjuntivite viral. A consequência disso é a inflamação da conjuntiva (membrana que recobre o olho e a superfície interna das pálpebras)”, afirma o médico oftalmologista Fernando Pacheco Veríssimo, do Instituto Visy. A doença pode acontecer em qualquer idade e tem como principal meio de transmissão as mãos, o compartilhamento de equipamentos eletrônicos e objetos pessoas. Os principais grupos de risco são os idosos, que têm um sistema imunológico mais frágil, e as crianças, por terem a imunidade ainda em desenvolvimento”, informa.

Apesar de não ser contagiosa, a conjuntivite alérgica tem seus casos aumentados em até 70% no inverno. “Na maioria das vezes, a alergia é provocada pelos ácaros e fungos presentes nas roupas pesadas de inverno”, aponta. Geralmente, as conjuntivites alérgicas afetam, ainda, pessoas com quadro de outros tipos de alergia, como a rinite que atinge o nariz. Uma medida simples e eficaz é tirar do armário os casacos e colocar no sol para tirar os ácaros, provocadores da reação alérgica. É importante também manter os ambientes ventilados.

Conjuntivite x uveíte

Mas cuidado! Vermelhidão, dor ocular, sensibilidade à luz são sintomas muitas vezes atribuídos à conjuntivite que também podem caracterizar a uveíte, uma inflamação no olho com diferentes causas. “Se não diagnosticada e combatida a tempo, pode afetar a visão para sempre”, alerta o médico.  Segundo ele, a uveíte é um termo genérico para designar qualquer inflamação na úvea, uma camada que se prolonga pelo olho todo. “A principal diferença entre as duas enfermidades é o local exato da sua manifestação. Enquanto a uveíte se manifesta (na maioria das vezes) dentro do olho, a conjuntivite se concentra sempre na área externa, chamada de conjuntiva”, diferencia o oftalmologista.

Cuidados 

Ao contrário da conjuntivite, a uveíte não é contagiosa, mas também pode voltar na forma crônica. “Por isso, é fundamental fazer esse alerta para o risco de uma automedicação, pois somente um exame clínico especializado pode diferenciar um caso do outro”, destaca Fernando. Sem o tratamento correto, a uveíte pode avançar e provocar complicações sérias. Ela pode dar passagem para o aparecimento da catarata e do glaucoma, por exemplo, ou ainda alterar a anatomia do olho, o que também acarreta em perda da visão.

“Por ser considerada uma doença negligenciada e com alta capacidade de cegueira, necessitamos de intensificar a divulgação das informações para o tratamento adequado e a tempo, pois a uveíte atinge todas as faixas etárias, em especial a faixa produtiva, gerando incapacidade funcional e alto custo psicológico-familiar e para a sociedade”, destaca o oftalmologista.

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